Coronariopatia

Pseudoaneurisma de ventrículo esquerdo (VE): o que você precisa saber?

Escrito por Alexandre Volney

Esta publicação também está disponível em: Português

Já ouviu falar de pseudoaneurisma de ventrículo esquerdo? Vamos mostrar uma pequena revisão aqui;

Paciente masculino, 76a já revascularizado, apresentou novo infarto com supra de parede inferior tratado por angioplastia primária. Cerca de 3 semanas após evolui com piora do cansaço para atividades simples. Submetido a ecocardiograma e, devido a suspeita, encaminhado para RM para confirmação diagnóstica. O que aconteceu com esse paciente?

Nas imagens da Cine-RM, observamos evidente perda da continuidade da parede livre do ventrículo esquerdo com o sangue sendo contido apenas pelo pericárdio (setas), inclusive com formação de pequeno trombo no interior.

A imagens perfusionais em repouso confirmam a chegada simultânea do contraste na cavidade ventricular e na nova cavidade que se formou.

O realce tardio permite caracterizar claramente os pontos de ruptura do músculo com fibrose das bordas (setas verdes) e formação de pequeno trombo (*) na porção mais basal. A presença de realce pericárdico (inflamatório) reforça o achado (setas vermelhas).

Os achados confirmam a suspeita de complicação mecânica do infarto com ruptura da parede livre do ventrículo esquerdo.

O pseudoaneurisma do ventrículo esquerdo é uma complicação clássica do infarto miocárdico, que embora rara pode ser catastrófica pelo risco iminente de ruptura. Ocorre na grande maioria das vezes associada a infartos inferiores, sendo menos comum nos infartos anteriores.

Em 60% dos casos é uma complicação mecânica do infarto miocárdico. Entretanto, em 30% dos casos pode ocorrer como complicação de cirurgia cardíaca, especialmente troca valvar em posição mitral. Os 10% remanescentes pode são secundários a traumas.

Sintomas comuns são dor torácica e dispneia, embora possam haver casos assintomáticos. Aumento da área cardíaca e alteração eletrocardiográficas embora presentes, na maioria dos casos são inespecíficos.

O métodos mais confiável para o diagnóstico é a angiografia invasiva que demonstra a passagem do contraste por um orifício estreito para a região dilatada do ventrículo esquerdo sem coronárias circundando-a. O ecocardiograma transtorácico, embora seja a primeira linha diagnóstica, tem baixa acurácia. A modalidade transesofágica apresenta melhor acurácia e pode agregar informações especialmente em casos pós troca valvar mitral. A Tomografia e a Ressonância cardíacas são métodos cada vez mais utilizados para confirmação diagnóstica em função da elevada resolução espacial (TC) e poder de caracterização tecidual (RM).

A RM, em especial, permite uma análise mais completa, com função ventricular, identificação do ponto de ruptura da parede e a caracterização da estrutura tecidual, além de demonstrar as condições do pericárdio, especialmente o processo inflamatório associado.

Aqui o diagnóstico diferencial mais importante e nem sempre fácil é a diferenciação dos aneurismas verdadeiros. Esses, embora de definição controversa, são caracterizados pela integridade da parede que  é geralmente afilada, composta por fibrose reparativa ou permeada por regiões de miócitos íntegros.  Além disso são frequentemente associados a infartos anteriores com formação de segmentos acinéticos ou discinéticos que podem aumentar ao longo do tempo, embora com risco de ruptura muito pequeno.

O diferencial diagnóstico é importantíssimo pois implica em prognóstico (os pseudoaneurismas são muito mais propensos a ruptura) e conduta (cirúrgica sempre para os pseudoaneurismas).

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Sobre o autor

Alexandre Volney

Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007)
Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009),
Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011)
Especialista em Ecocardiografia (SBC)

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