Insuficiência Cardíaca

Quais as atuais indicações de ressincronizador na insuficiência cardíaca?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

Sabe aquele tema em que cada diretriz diz uma coisa diferente e o cardiologista clínico termina ficando em dúvida quando indicar ou não uma intervenção? Para mim um destes temas é ressincronização cardíaca na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Nesse sentido, a nova diretriz da SBC traz uma boa simplificação do assunto. Segundo a diretriz, a única indicação classe I para o ressinc é:

  • Pacientes com FE ≤ 35% E ritmo sinusal E morfologia de bloqueio de ramo esquerdo E QRS ≥ 150 ms E sintomático apesar da terapia otimizada. 

Pronto. Só nesse cenário seria completamente mandatório implantar. Temos ainda 2 situações contempladas como IIa (ou seja, deve ser considerada na maioria dos pacientes com estes características):

  • Pacientes com FE ≤ 35% E ritmo sinusal E morfologia de bloqueio de ramo esquerdo E QRS entre 130 e 150 ms E sintomático apesar da terapia otimizada. Tudo igual a outra indicação mas o QRS passa a uma duração menos prolongada.
  • Paciente com ICFER que está com indicação de receber marca-passo definitivo devido a BAVT.

Neste caso, já que vai ter que implantar marca-passod e toda forma devido ao BAVT, melhor colocar um ressinc para evitar que o marca-passo localizado apenas em VD cause dessincronia interventricular.

O resto ou é proscrito ou é indicação fraca (IIb – pode ser considerado em casos excepcionais). Exemplo:

  • Paciente similar à primeira e segunda indicações citadas neste post mas que ao invés de ritmo sinusal tem FA
  • Paciente que ao invés de BRE tem BRD E o QRS é >160 ms
  • Paciente que já tem marca-passo comandando o ritmo e que está com piora dos sintomas apesar de terapêutica otimizada. Pode-se considerar então em fazer um upgrade do dispositivo de um marca-passo comum para um ressinc.

É isso. Para a prática clínica do dia a dia, saber as 3 primeiras indicações. Para concursos como a prova de título de especialista e para quem vê muito paciente com IC refratária,  ficar atento às outras indicações.

Referência: Comitê Coordenador da Diretriz de Insuficiência Cardíaca. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):436-539

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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