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Quais são as novas metas para tratamento da HAS

Thiago Midlej
Escrito por Thiago Midlej

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A redução da pressão arterial (PA) tem como objetivo proteger órgãos alvos e prevenir desfechos cardiovasculares. Para isso existem as metas para tratamento da HAS.

A decisão terapêutica deve basear-se no nível de PA, na presença de fatores de riscos, lesão de órgão alvo, doença cardiovascular pré-estabelecida, DM e presença de doença renal. De acordo com esses dados, classifica-se o risco do paciente hipertenso, conforme tabela abaixo.

Estratificação de risco no paciente hipertenso de acordo com fatores de risco adicionais, presença de lesão em órgão-alvo e de doença cardiovascular ou renal

PAS 130-139 ou PAD 85-89 HAS estágio 1
PAS 140-159 ou PAD 90-99

HAS estágio 2
PAS 160-179 ou PAD 100-109

HAS estágio 3
PAS ≥180 ou PAD ≥110

sem fatores de risco sem risco adicional risco baixo risco moderado risco alto
1-2 fatores de risco risco baixo risco moderado risco alto risco alto
≥3 fatores de risco risco moderado risco alto risco alto risco alto
Presença de LOA, DCV, DRC ou DM risco alto risco alto risco alto risco alto
Segundo a nova diretriz brasileira de HAS, temos:

– Paciente com estágio 1 de risco baixo e moderado: inicialmente devemos tentar a terapia não farmacológica por 3 (moderado risco) a 6 meses (baixo risco). Caso não haja controle da PA, iniciar tratamento medicamentoso.

– Estágios 2 e 3 e/ou alto risco (mesmo no estágio 1): devemos iniciar tratamento medicamentoso imediato associado a terapia não medicamentosa.

– Pré-hipertensão: tratamento não medicamentoso. O medicamento pode ser considerado naqueles com PA 130-139 /85-89 mmHg e história prévia de DCV ou naqueles com risco cardiovascular alto, sem DCV.

– Idosos: recomenda-se início da terapia farmacológica a partir de níveis de PAS ≥ 140 mmHg. Nos pacientes ≥ 80 anos, o limite para início da terapêutica passa a ser ≥160 mmHg.

Metas:

Categoria Meta
HAS estágio 1 e 2, com risco baixo e moderado e HAS estágio 3 < 140/90 mmHg
HAS estágios 1 e 2 com risco alto < 130/80 mmHg
Após tanta discussão com os estudos SPRINT e ACCORD, a diretriz optou por recomendar meta de PA < 130/80 mmHg para pacientes de alto risco cardiovascular. Em portadores de DM e pacientes com doença arterial coronária essa meta não deve ser tão rígida, permitindo valores abaixo de 130/80 mmHg, mas não abaixo de 120/70 mmHg. Para hipertensos em estágios 1 e 2 com risco cardiovascular baixo e moderado, o objetivo é alcançar PA < 140/90 mmHg. É importante ressaltar que, para pacientes com HAS em estágio 3, embora com risco cardiovascular alto, a meta pressórica é <140/90 mmHg, pois não há evidências científicas que suportem reduções mais intensas.

Sempre que possível, o controle da PA deve ser confirmado pela MAPA ou MRPA. Deve-se ter cautela na redução da PA em idosos e naqueles com PA muito elevadas.

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Sobre o autor

Thiago Midlej

Thiago Midlej

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia​ e pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina de São Paulo - I​NCOR​​.
Pós graduando da Unidade de Hipertensão do​​ I​NCOR​
Médico plantonista da Unidade Clínica de Emergência do INCOR
​​Cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

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