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Qual a utilidade do espessamento medio-intimal carotídeo ?

Giordano Bruno
Escrito por Giordano Bruno

Revisão publicada na Cardiology in Review trouxe a tona todas as evidências da relação entre aumento da espessura médio-intimal (IMT) e estratificação de risco para eventos ateroscleróticos.

Como já se sabe, esta variável, facilmente obtida através do exame ultrassonográfico das carótidas está citada em diretrizes de recomendação para pesquisa e estratificação de risco, em particular de indivíduos de risco intermediário, classificando-os como de alto risco em um grau equivalente a aterosclerose subclínica.

Mas o que temos de evidência ?

  • Inicialmente o artigo relaciona estudos que mostram a relação direta entre espessura IMT e risco de eventos, com milhares de pacientes estudados por mais de 10 anos.
  • Em pacientes já portadores de doença cardiovascular prévia, com amostras mais modestas, alguns estudos mostram incremento no risco (nota: sem utilidade prática pois as metas de tratamento em paciente já portadores de evento aterosclerótico já são bem estabelecidas).
  • Paciente já considerados de alto risco como diabéticos e com doença renal crônica não observam um benefício evidente na medida da IMT e risco cardiovascular, exceto em diabéticos para predizer risco de AVC e principalmente se já existe placa carotídea
  • A maior demonstração vem que o IMT adiciona valor ao escore de risco de Framingham calculado, de maneira independente a todas as variáveis.

E quais seriam as limitações da medida do IMT ?

  • Uma espessura medio-intimal aumentada não diferencia tecido normal  de um core necrótico presente na placa fibrosa em formação, não refletindo o mesmo estágio do processo
  • A medida do IMT é feita na carótida comum, mas a doença aterosclerótica avançada geralmente ocorre na carótida interna e bulbo. Além disso, uma placa pode crescer até 2,4 vezes em extensão, aumentando seu volume sem ser detectado aumento da espessura da IMT
  • Já foram identificados indivíduos com hiperplasia da média ou íntima, sem que seja associada a aterosclerose, podendo gerar ansiedade nos pacientes e seus familiares.

Em resumo, podemos listar as vantagens e desvantagens da medida da IMT:

Vantagens:

Fácil  obtenção, baixo custo, sem radiação, vários estudos demonstrando valor adicional e independente em pacientes de risco intermediário, possibilidade de diagnosticar aterosclerose no mesmo exame (placa)

Desvantagens

Pouco valor para seguimento, incrementa o risco de maneira não uniforme de acordo com o risco basal do paciente, metodologia ainda não completamente uniformizada (possibilidade da espessura medida no bulbo ter maior valor que na carótida comum) e ausência de estudos com desfechos baseados na modificação de conduta após a obtenção do IMT

Em conclusão, podemos dizer que, mesmo ainda existindo muitas dúvidas em relação a utilidade real da medida da IMT, o fato de ser um exame acessível, de baixo custo e risco torna possível cada vez mais aprender com o seu uso na prática clínica, e incorporá-lo no futuro em casos selecionados após aliarmos a experiência e a evidencia de novos estudos.

Referencias:

Carpenter, Mark MChem; Sinclair, Hannah BSc, MB ChB, MRCP; Kunadian, Vijay MBBS, MD, FRCP. Carotid Intima Media Thickness and Its Utility as a Predictor of Cardiovascular Disease: A Review of Evidence. Cardiology in Review:. March/April 2016 – Volume 24 – Issue 2 – p 70–75

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Sobre o autor

Giordano Bruno

Giordano Bruno

Médico Cardiologista e Ecocardiografista formado pela UFPE
Supervisor da residência em cardiologia do Hospital Agamenon Magalhães - SES/PE
Coordenador dos protocolos da cardiologia do Realcor / Real Hospital Português/PE

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