Hipertensão arterial sistêmica Prevenção

Viu apenas 1 ou 2 casos de hiperaldosteronismo primário na vida? Provavelmente você não está investigando como deveria…

Thiago Midlej
Escrito por Thiago Midlej

O hiperaldosteronismo primário (HAP) é uma causa importante de hipertensão arterial sistêmica (HASsecundária  e está relacionada com aumento na produção de  aldosterona. Para o diagnostico, como já descrito em post anterior, são necessários 3 passos: screening, teste confirmatório e diferenciação do subtipo.  A prevalência do HAP ainda é tema de muita discussão.

Um trabalho recente  (estudo PATO) avaliou pacientes hipertensos recrutados em Torino, na Itália. Todos os pacientes tiveram aldosterona e atividade de renina plasmática coletados sendo que medicações que poderiam influenciar na avaliação da renina ou aldosterona foram suspensas 4 semanas antes. Foi considerado screnning positivo quando  a relação aldosterona / renina (A/R) > 30 e dosagem de aldosterona >10, sendo diagnostico confirmado pelo teste de supressão salina. A avaliação do subtipo foi feita pela dosagem de aldosterona nas veias supra renais.

No total, foram avaliados 1672 pacientes portadores de hipertensão, sendo 67,8% hipertensos estagio 1, 24,7% estágio 2 e 7,5 % estágio 3. Desse total, 5,9% tinham HAP. Em relação aos hipertensos em estágio 1, a prevalência de HAP foi de 3,9%. Em estágio 2, 9,7% e 11,8% no estágio 3.  A hipocalemia (<3,6 mEq/l) esteve presente em apenas 6,8 % de todos os pacientes hipertensos

Em relação aos pacientes com HAP, 27% tinham adenoma unilateral  produtor de aldosterona  (1,6% do total de hipertensos) e 65%, hiperplasia adrenal bilateral (3,8% do total de hipertensos), sendo 8% não diagnóstico (ou não submetido a exames para avaliação de subtipo).

Os pacientes com HAP tinham mais síndrome metabólica,  menor HDL,  maiores taxas de glicemia e trigliceridemia,  mais lesões de órgão alvo como HVE e microalbuminúria. Na analise multivariada, HAP foi um forte fator associado com eventos cardiovasculares.

O estudo conclui que a prevalência de HAP é subestimada e que a investigação pode proporcionar melhor tratamento para o paciente hipertenso, seja pela cirurgia com ressecção do nódulo adrenal, no caso de adenoma unilateral, ou com farmacoterapia, utilizando antagonista dos receptores mineralocorticoides, no caso de hiperplasia bilateral. A hipocalemia, considerado um tradicional pre requisito para diagnostico de HAP, só estava presente em 6,8% dos hipertensos e em 28.9% dos portadores de HAP.

Resumo:

  • Hiperaldosteronismo primário é causa frequente de hipertensão arterial, mesmo nos casos em que a elevação de níveis pressóricos é discreta. Ou seja, mesmo médicos que trabalham em serviços de atenção primária deveriam ver casos esporadicamente.
  • Hipocalemia está presente em apenas 3 em cada 10 pacientes acometidos por esta doença. Se você for investigar hiperaldo primário apenas em pacientes hipertensos com hipocalemia, vai deixar passar a maioria dos casos.
  • A principal causa de hiperaldosteronismo primário em pacientes hipertensos é a hiperplasia bilateral de adrenais e não adenoma.

Referência:

Prevalence and Clinical Manifestations of Primary Aldosteronism Encountered in Primary Care Practice

Silvia Monticone, MD, PHD,a Jacopo Burrello, MD,a Davide Tizzani, MD,a Chiara Bertello, MD,a Andrea Viola, MD,a Fabrizio Buffolo, MD,a Luisa Gabetti, MD,b Giulio Mengozzi, MD,c Tracy A. Williams, PHD,a,d Franco Rabbia, MD,a Franco Veglio, MD,a Paolo Mulatero, MDa

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Sobre o autor

Thiago Midlej

Thiago Midlej

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia​ e pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina de São Paulo - I​NCOR​​.
Pós graduando da Unidade de Hipertensão do​​ I​NCOR​
Médico plantonista da Unidade Clínica de Emergência do INCOR
​​Cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

2 comentários

  • Seria interessante um post sobre como faríamos para investigar a presença de hiperaldosteronismo primário em doentes que já chegam ao consultório com o diagnóstico de hipertensão arterial e está em uso de medicações anti-HAS. Por exemplo, paciente com HAS estadio III, usando 4 classes de anti-HAS, como investigar HAP nesses doentes? Há classes de drogas que não afetem ou afetam pouco os exames laboratoriais? Damo-nos por satisfeitos com exames de imagem? Existe estratégia diversa para investigação?

    • Ernesto, a investigação sempre deve iniciar com a parte laboratorial e apenas depois ir para os exames de imagem. Caso contrário, podemos ver apenas um incidentaloma adrenal e imputar a HAS a isto. Várias drogas podem interferir no resultado dos exames laboratoriais (ieca, bbloq, bra, espirono, etc). Alguns serviços acham que a medicação que é imprescindível de ser suspensa antes da coleta do lab é a espironolactona. Mas aí realmente depende do protocolo seguido por cada serviço. O ideal seria suspender tudo mas como sabemos isto não é fácil de ser feito na prática devido ao descontrole pressórico do pcte.

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