Hipertensão arterial sistêmica Manchetes da Semana Prevenção

Qual melhor combinação de anti-hipertensivos para afrodescendentes?

Thiago Midlej
Escrito por Thiago Midlej

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Conforme as atuais diretrizes, tanto americana quanto europeia, a maioria dos pacientes com HAS necessitam de, pelo menos, duas medicações para controle pressórico. Entretanto a combinação para uso em pacientes afro descentes difere em diversos estudos e diretrizes. Existem dados consistentes evidenciando que diuréticos ou bloqueador de canal de cálcio são mais efetivos na redução da PA em afrodescendentes  hipertensos. Consequentemente, a associação desses dois anti-hipertensivos é recomendada em algumas diretrizes.

Estudo publicado recentemente no NEJM e apresentado no último congresso do ACC avaliou esta questão. Foi realizado em 10 centros de 6 países da África Subsaariana com o objetivo de avaliar a hipótese que o bloqueador de canal de cálcio (anlodipino)  associado a um diurético (hidroclorotiazida) seria mais efetivo em baixar a PA do que o bloqueador de canal de cálcio associado a um IECA (perindopril) ou diurético associado a um IECA. No total, foram randomizados 890 pacientes , sendo 728 divididos em 3 grupos:

1- Anlodipina + HCTZ (244 pacientes)

2- Anlodipina + Perindopril (243 pacientes)

3- Perindopril + HCTZ ( 241 pacientes)

Após 6 meses, a redução de PA pela MAPA foi mais acentuada no grupo 1 (17.1 mmHg) e no grupo 2 (18.1 mmHg) do que no grupo 3 (14.2 mmHg).

Os autores concluem que a associação de anlodipina seja com IECA, no caso o perindopril, ou com diurético tiazídico, nesse estudo a HCTZ, foi mais efetivo na redução da PA pela MAPA e no consultório, na população afrodescendente, do que  a combinação de perindopril e HCTZ.

Nota do editor (Eduardo Lapa): essa é uma evidência definitiva para preferir um esquema anti-hipertensivo ao outro? Não é. O desfecho avaliado foi pressão arterial e não desfechos clínicos como AVC ou morte. Já vimos no passado medicações que eram eficazes em baixar a PA mas sem que isso se traduzisse em melhora de desfecho.

Referência: Comparison of Dual Therapies for Lowering Blood Pressure in Black Africans. Dike B. Ojji, M.D., Ph.D., Bongani Mayosi, D.Phil., Veronica Francis, B.A., Motasim Badri, Ph.D., Victoria Cornelius, Ph.D., Wynand Smythe, Ph.D., Nicky Kramer, M.P.H., Felix Barasa, M.Med., Albertino Damasceno, Ph.D., Anastase Dzudie, Ph.D., Erika Jones, Ph.D., Charles Mondo, M.D., Ph.D., et al., for the CREOLE Study Investigators* March 18, 2019 DOI: 10.1056/NEJMoa1901113

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Sobre o autor

Thiago Midlej

Thiago Midlej

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia​ e pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina de São Paulo - I​NCOR​​.
Pós graduando da Unidade de Hipertensão do​​ I​NCOR​
Médico plantonista da Unidade Clínica de Emergência do INCOR
​​Cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

2 comentários

  • “Já vimos no passado medicações que eram eficazes em baixar a PA mas sem que isso se traduzisse em melhora de desfecho…”
    Não é a meu modo de ver o caso dos calcioantagonistas dihidropiridínicos atuais…

  • O melhor antiarrítimico e anti-hipertensivo que existe é o magnésio. O resto é conversa mole dos médicos a serviço da indústria farmacêutica.

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