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Que medicações podemos usar para tratar a claudicação intermitente?

Eduardo Sansolo
Escrito por Eduardo Sansolo

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O tratamento farmacológico da claudicação intermitente (CI) tem sido objeto de estudo por 30 anos. Atualmente apenas duas drogas (pentoxifilina e cilostazol) possuem registro do FDA, CE Mark e ANVISA para tratamento da CI. A seguir discorreremos brevemente sobre estas medicações.

Pentoxifilina

Em 1984, a pentoxifilina se tornou a primeira droga aprovada pelo FDA para tratamento da claudicação intermitente. Esta pertence à classe das metilxantinas e age aumentando a oferta de oxigênio para a musculatura dos membros inferiores devido ao efeito reolítico, que consiste em aumentar a flexibilidade e deformabilidade das hemácias e reduzir a viscosidade sanguínea. Além disso, a pentoxifilina inibe a agregação plaquetária e aumenta os níveis de fibrinogênio. Os primeiros estudos com esta droga foram promissores e demonstraram aumentos de 12% na distância máxima de deambulação em esteira.

Estudos posteriores multicêntricos, randomizados, entretanto, evidenciaram aumentos discretos nas distâncias de deambulação comparados com os controles. Estes aumentos parecem ser mais significativos estatisticamente que clinicamente. Na prática clínica, alguns pacientes experimentam aumento significativo da distância de claudicação e melhora dos sintomas, mas outros não apresentam melhora alguma e é impossível predizer quais se beneficiarão sem um teste terapêutico.

A pentoxifilina é bem tolerada pelos pacientes, segura e relativamente de baixo custo, o que favorece seu uso, apesar do impacto clínico discreto. Deve ser administrada desde 400mg via oral 3x/dia até a dose máxima de 1800mg/dia. Seu principal efeito colateral é o aumento da pressão arterial, então pacientes em uso recente devem ser monitorizados com mais atenção.

Cilostazol

O cilostazol recebeu as certificações FDA e ANVISA em 1999 para tratamento da CI. Consiste num inibidor da fosfodiesterase 3 e atua aumentando o AMP cíclico. Estes mecanismos resultam numa variedade de efeitos fisiológicos tais como: inibição da proliferação de células musculares lisas e da agregação plaquetária, redução dos triglicérides e aumento do HDL. Há evidência, também, que o cilostazol modula a síntese do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), potecialmente estimulando a angiogênese em pacientes com Doença Arterial Obstrutiva Periférica. Apesar do mecanismo específico que o cilostazol age na claudicação intermitente ser desconhecido, é provável que seja uma combinação destes efeitos.

Vários estudos desde metanálises a duplo-cegos confirmaram a eficácia do cilostazol. Resultados evidenciaram um aumento médio da distância máxima de claudicação em 50%, inclusive sendo superior em comparação com a pentoxifilina.

O cilostazol tem um perfil de efeitos colaterais não tão desprezíveis, sendo os principais cefaléia e epigastralgia em até 10% dos pacientes.

DICA:

  • Cilostazol é contraindicado em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada.

Pode ter seus níveis plasmáticos aumentados se administrados em conjunto com outras drogas metabolizadas pela via do citocromo P-450.

Estes efeitos colaterais podem ser minimizados se a dose for aumentada gradativamente começando com 50mg/dia por 1 semana, aumentando para 50mg 2x/dia até a dose ideal de 100mg 2x/dia na terceira semana.

Referências bibliográficas:

Samlaska CP, Winfield EA. Pentoxifylline. J Am Acad Dermatol. 1994;30:604-621.

Porter JM, Cutler BS, Lee BY, et al. Pentoxifylline efficacy in the treatment of intermittent claudication: multicenter controlled double-blind trial with objective assessment of chronic occlusive arterial disease patients. Am Heart J. 1982;104:66-72.

Dawson DL, Cutler BS, Hiatt WR, et al. A comparison of cilostazol and pentoxifylline for treating intermittent claudication. Am J Med. 2000;109:523-530.

Hood SC, Moher D, Barber GG. Management of intermittent claudication with pentoxifylline: meta-analysis of randomized controlled trials. CMAJ. 1996; 155:1053-1059.

Barnett AH, Bradbury AW, Brittenden J, et al. The role of cilostazol in the treatment of intermittent claudication. Curr Med Res Opin. 2004;20:1661-1670.

Regensteiner J, Ware JJ, McCarthy W, et al. Effect of cilostazol on treadmill walking, community-based walking ability and health-related quality of life in patients with intermittent claudication due to peripheral arterial disease: meta-analysis of six randomized controlled trials. J Am Geriatr Soc. 2002; 50:1939-1946

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