Sem categoria

Que medicamentos parar antes de investigar hiperaldosteronismo?

Dos pacientes hipertensos, 3 a 5% são considerados portadores de hipertensão secundária.

As causas mais comuns de hipertensão secundária são: doença renal crônica, doença renovascular (estenose de artéria renal), hiperaldosteronismo, feocromocitoma, hipo e hipertireoidismo, sd Cushing, coartação de aorta e sd da apneia obstrutiva do sono.

Para pacientes que apresentam hipertensão refratária (hipertensão mantida mesmo com uso de 3 medicamentos de classes distintas, sendo pelo menos  1 diurético), hipertensão de início súbito ou em pacientes jovens (< 30 anos), devemos pensar em uma causa secundária.

Para investigação de hiperaldosteronismo primário, solicita-se a dosagem sérica de aldosterona (A) e a atividade de renina plasmática (R), e quantifica-se a relação A/R. Se relação A/R > 30ng/dL, com aldosterona > 15ng/dL, há alta probabilidade de hiperaldosteronismo primário. Realiza-se, então, o teste de sobrecarga de sal (2L de SF0,9% em 4 horas – confirmado suspeita se aldosterona sérica > 5ng/dL).

Mas o que fazer com as drogas que atuam no sistema renina-angiotensina aldosterona antes da coleta do exame? Devemos parar tudo, mesmo sabendo que o paciente tem uma pressão de difícil controle?

Para responder essa pergunta, um grupo italiano selecionou 2160 pacientes com hipertensão, fizeram wash-out de todas terapias por 4 semanas e colheram aldosterona sérica e atividade de renina. 230 pacientes apresentaram suspeita de hiperaldosteronismo primário por alteração da relação A/R.

Coletaram então novamente esses exames, agora após 2 meses de uso de anlodipina, doxazosina, atenolol, fosinopril (IECA) ou irbesartan (BRA).

Não foi utilizado diuréticos tiazídicos ou espironolactona por observação prévia de poderiam reduzir significativamente a relação A/R, atrapalhando o diagnóstico.

Esse estudo mostrou que o uso da doxazosina e do fosinopril (IECA) interferiram pouco nos valores de aldosterona e atividade de renina, e portanto poderiam ser utilizados para pacientes hipertensos que estão sendo investigados para essa condição. A anlodipina também apresentou alteração discreta (houve pequena porcentagem de falso-negativo), e poderia também ser uma opção.

O atenolol (betabloqueador) interferiu pouco no diagnóstico, mas por poder aumentar de forma mais significativa a taxa de falsos-positivos, deveria ser evitado. O irbesartan (BRA), por apresentar alta taxa de falsos-negativos, deveria também ser evitado.

Referência:

Mulatero P, Rabbia F, Milan A, et al. Drug Effects on Aldosterone/Plasma Renin Activity Ratio in Primary Aldosteronism. Hypertension. 2002;40:897-902.

Deixe um comentário

Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

2 comentários

    • Os medicamentos que mais interferem nos resultados das catecolaminas plasmáticas e/ou metanefrinas urinárias são: antidepressivos tricíclicos, alfa-bloqueadores não seletivos, simpatomiméticos (efedrina, anfetamina), estimulantes (cafeína, nicotina, teofilina), levodopa, cocaína e paracetamol. O ideal seria suspender essas medicações antes do exame.
      Já os alfa-bloqueadores seletivos (prazosin, doxazosin), beta-bloqueadores, vasodilatadores e antagonistas de canal de cálcio também poderiam interferir de forma menos expressiva o resultados desses exame, mas também deveriam ser suspensos, se possível, para um resultado mais confiável.

Deixe uma resposta

Seja parceiro do Cardiopapers. Conheça os pacotes de anuncios e divulgações em nosso MídiaKit.

Anunciar no site
%d blogueiros gostam disto: