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Ressonância cardíaca pode mudar o tratamento de pacientes com infarto?

Renata Ávila
Escrito por Renata Ávila

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O infarto agudo do miocárdio (IAM) geralmente ocorre de uma ruptura erosão de placa coronariana. Nos pacientes que apresentam infarto com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) o ECG sinaliza qual parede do coração sofreu esse dano. Já  naqueles que apresentam infarto sem supra do segmento ST (IAMSST) a identificação da artéria culpada pode ser um desafio. Não é incomum pacientes que apresentam IAMSST terem doença arterial coronariana (DAC) em mais de um vaso.

Nesse cenário de paciente com IAMSST, a correta identificação da artéria culpada tem importância para a decisão da estratégia de revascularização coronariana. Existem recomendações conflitantes referentes a revascularizar apenas a artéria culpada ou revascularizar todos os vasos com estenose significativa. Uma potencial razão para a evidência conflitante pode ser devido aos desafios na identificação artéria culpada nesse grupo de pacientes, e não na percepção de benefícios das diferentes estratégias de revascularização.

A técnica de realce tardio pela RMC (RT-RMC) é considerado por muitos como a referência padrão in vivo para a visualização de áreas de infarto do miocárdio (vide post prévio). Estudos prévios já demostraram que o RT-RMC é altamente preciso na localização do IAM, permitindo uma correlação anatômica com a artéria culpada. Além disso, o padrão do RT-RMC também tem a capacidade de identificar causas de infartos não isquêmicos (MINOCA- vide post prévio).

Recentemente foi publicado no Circulation:Cardiovascular Interventions um estudo que teve como objetivo determinar se o RT-RMC tem a capacidade de melhorar a identificação da artéria culpada em pacientes com IAMSST que foram submetidos a angiografia invasiva.

Esse estudo analisou 144 pacientes que foram submetidos a RT-RMC e angiografia invasiva em seguida. Ambos os exames foram analisados e revisados por examinadores cegos em relação ao estudo.

Esse estudo mostrou:

  • Em 37% dos pacientes não foi identificada a artéria culpada pela angiografia invasiva;
  • ORT-RMC foi útil na determinação da artéria culpada em 60% dos pacientes nos quais a artéria culpada não foi identificada pela angiografia invasiva. Especificamente, nos pacientes que apresentavam infarto focal;
  • Em mais 19% dos pacientes em que a artéria culpada não foi identificada pela angiografia invasiva, o RT-RM Cidentificou um novo diagnóstico (alteração de enzima cardíaca não secundária a DAC);
  • Em mais de um quarto desses pacientes, o RT-RMC discordou da angiografia invasiva com relação a artéria culpada (14%) ou um outro diagnóstico foi encontrado (13%). A maioria desses pacientes apresentavam DAC em múltiplos vasos. Isso é uma informação interessante visto que em torno de 50% a 60% dos pacientes que se apresentam com IAMSST apresentam doença multiarterial na angiografia.

Em Resumo:

  • A identificação da artéria culpada em pacientes com IAMSST pode ser desafiadora na angiografia invasiva;
  • O RT-CMR tem a capacidade de localizar o segmento infartado acometido, permitindo uma correlação com a artéria culpada;
  • O padrão do RT-CMR encontrado permite diferenciar causas isquêmicas de não isquêmicas em pacientes com alterações de enzimas cardíacas;
  • O benefício da revascularização completa pode ser questionado quando temos a certeza de que a artéria culpada foi corretamente identificada e tratada. A sua correta determinação, pode responder de forma mais definitiva sobre qual estratégia de revascularização é a melhor.

Referência:

Identifying the Infarct-Related Artery in Patients With Non–ST-Segment–Elevation Myocardial Infarction.Insights From Cardiac Magnetic Resonance Imaging. Circ Cardiovasc Interv. 2019;12: e007305.

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Sobre o autor

Renata Ávila

Renata Ávila

Residência em Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia Título de Especialista em Cardiologia pela SBC
Especialista em Tomografia e Ressonância cardiovascular pelo InCor/FMUSP
Médica do setor de Tomografia e Ressonância Cardíaca da Rede D'Or São Luiz:
- Hospital Esperança
- Hospital Esperança Olinda

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