Prevenção

Screening de câncer de cólon: em quem fazer e quando?

Carlos Eduardo Soares

A triagem (screening) para câncer colorretal consiste na realização de exames para diagnóstico precoce em pacientes assintomáticos, sem história prévia de câncer ou lesões pré neoplásicas. Tem por objetivo reduzir a incidência e mortalidade da doença. Nos Estados Unidos, onde a aderência ao screening é alta (60%), observou-se uma redução de 30% da incidência de câncer colorretal ao longo de uma década.

Há consenso quanto a realização do screening após os 50 anos, embora algumas sociedades orientem redução deste ponto de corte para 45 anos, devido a maior incidência da doença em pessoas cada vez mais jovens. Contudo há muita controvérsia sobre qual o melhor exame, com que frequência deve ser repetido e qual a melhor forma de oferecê-lo ao paciente.

DICA:

  • melhor realizar algum teste de screening do que nenhum, não adianta oferecer o melhor teste e o paciente não realizar por questões de preferência, dificuldade de acesso ou custo.

Além disso não há até o presente momento, nível de evidência forte para recomendar um exame em detrimento de outro, contudo a literatura presente pode nos oferecer algumas sugestões.

A US Task Force Multi-Society of Colorectal Cancer (MSTF), entidade que representa o American College of Gastroenterology, American Gastroenterological Association e a American Society for Gastrointestinal Endoscopy, elaborou um guideline recente (2017) considerando questões práticas, como disponibilidade, custo-eficácia, padrões de uso atuais, obstáculos à implementação e frequência com que o exame será realizado:

Exames de primeira linha – Colonoscopia a cada 10 anos ou sangue oculto fecal anual – Podem ser oferecidos de forma sequencial (colono primeiro e sangue oculto caso o paciente recuse), as duas opções e pedir para o paciente escolher ou mesmo sugerir colono nos casos de maior risco (paciente mais idosos, obesos, tabagistas…) e sangue oculto nos demais.

Exames de segunda linha – Colonoscopia virtual por tomografia a cada 5 anos, sangue oculto – DNA fecal a cada 3 anos ou retossigmoidoscopia flexível a cada 5-10 anos. São exames menos acessíveis, com observação de que o paciente que recusou a colono dificilmente fará retossigmoidoscopia, tornando-a, de certo modo, obsoleta.

Exame de terceira linha– colonoscopia com cápsula – disponibilidade, custos e praticidade colocam este exame como última opção.

Lembrando que a positividade em qualquer um dos demais exames demanda a realização de colonoscopia diagnóstica e que, na presença de lesões ressecáveis por endoscopia, pode instituir o pronto tratamento.

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