Insuficiência Cardíaca Terapia Intensiva Cardiológica

Série Devices: Impella

Fernando Figuinha
Escrito por Fernando Figuinha

O Impella é o menor dispositivo de assistência ventricular esquerda disponível até o momento. É um dispositivo que pode ser inserido na sala de hemodinâmica, e que é utilizado com a finalidade de melhorar o débito cardíaco e a perfusão coronariana e tecidual, diminuindo o trabalho miocárdico e o consumo de oxigênio. O aparelho consiste em uma bomba que tem sua porção distal colocada na cavidade do ventrículo esquerdo, e sua porção proximal, por onde é ejetado parte do débito, na aorta ascendente. Pode obter um fluxo de até 2,5 ou 5 L/min (dependendo do dispositivo – Impella 2.5 ou 5.0). Deve ser usado por no máximo 10 dias.

Suas indicações são as mesmas do balão intra-aórtico (BIA), como choque cardiogênico pós-IAM, profilático para preparação de cirurgia cardíaca ou para procedimento hemodinâmico em pacientes de alto risco ou como ponte para outros dispositivos.

Alguns trabalhos mostram superioridade desse dispositivo em relação ao BIA.  Nos registros americanos multicêntricos (USpella) em pacientes com IAM, esse dispositivo se mostrou eficaz em otimizar a hemodinâmica dos pacientes nos quais a terapia convencional foi insuficiente para suporte adequado (88% após revascularização miocárdica, 88% após uso de altas doses de inotrópicos e 68% após uso de BIA). O Impella melhorou o IC de 1,9 para 2,5 L/min/m², a PAM de 62 para 87mmHg, e a fração de ejeção de 29 para 37%.

Um estudo alemão (JACC 2008 52(19):1584) comparou 25 pacientes com choque cardiogênico pós IAM; 13 receberam BIA e 12 receberam Impella. O Impella aumentou mais o índice cardíaco 30 minutos após seu implante em comparação com o BIA (p = 0,02), mas a mortalidade em 30 dias foi semelhante nos 2 grupos (46%).

A superioridade do Impella em relação ao BIA precisa ser melhor demonstrada, mas esse dispositivo parece ser uma alternativa interessante a ser usada em pacientes que não respondem bem à terapêutica habitual inclusive com o suporte do BIA. Além disso, pode ser facilmente implantado na sala de hemodinâmica. Talvez o uso do Impella 5.0 possa trazer maiores benefícios para esses pacientes refratários.

Deixe um comentário

Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

2 comentários

  • Parabéns pela iniciativa !

    Com certeza contribuirá bastante com o aprendizado dos jovens cardiologistas.

    Será divulgado continuamente para os Residentes de cardiologia do Hospital Sírio Libanês e utilizado como uma das fontes de conhecimento e atualização !

    Parabéns a todos !

    Henrique Grinberg
    Preceptor da Residência de Cardiologia HSL 2010 / 2011

Deixe uma resposta

Seja parceiro do Cardiopapers. Conheça os pacotes de anuncios e divulgações em nosso MídiaKit.

Anunciar no site
%d blogueiros gostam disto: