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Infecção pode aumentar o risco de infarto agudo do miocárdio?

Thiago Midlej
Escrito por Thiago Midlej

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Um trabalho recente publicado no NEJM trouxe uma revisão interessante e elucidativa sobre infecções e aumento no risco de infarto do miocárdio. Infecções por influenza, pneumonia e bronquite, por exemplo, estão associadas ao aumento da taxa de infarto do miocárdio. Alguns estudos mostram risco de 7% a 8% entre  paciente hospitalizados por pneumonia por pneumococo.

A  associação entre infecção aguda e aumento do risco de  infarto do miocárdio persiste além do período após a infecção, podendo durar meses ou até anos, dependendo da gravidade da infecção. Esse risco parece ser mais elevado quando a infecção é mais grave. 

Mas, como exatamente uma infecção pode deflagrar um infarto? Existem algumas teorias:

  1. O IAM tipo 1 é definido com isquemia miocárdica causada pela oclusão coronária por ruptura da placa ou trombose. A placa aterosclerótica contém células inflamatórias e a infecção, por ativação de IL1, IL 6, IL 8 e FNT, pode ativar essas células, contribuindo para desestabilização da placa. Fatores protrombóticos e procoagulantes estão associados a infecções agudas e podem aumentar o risco de trombose coronária.
  2. O IAM tipo 2 ocorre quando a demanda metabólica do miócitos excedem a capacidade de sanguínea de suprir essas células de oxigênio.  A inflamação e a febre aumentam as necessidade metabólicas teciduais, aumentando a FC, reduzindo o tempo da diástole e consequentemente, o tempo de enchimento coronariano. Nas pneumonias, por exemplo, o nível de O2 sanguíneo pode estar mais baixo devido a defeitos na ventilação -perfusão limitando a oxigenação do miocárdio.
  3. Outros mecanismo evidenciado em experimentos é por vacuolização e perda de miócitos, elevando a troponina, causando arritmias e alterações eletrocardiográficas.  

E a vacinação, pode ajudar? Segundo o estudo, uma metanálise de 5 trials mostrou redução de 36% de eventos cardiovasculares em adultos que receberam vacina para influenza em relação aos que não receberam. Outra metanálise mostrou redução de 17% no risco de infarto do miocárdio naqueles que tomaram vacina para pneumococo.  

O autor recomenda que, em pacientes com infecção aguda e com indicação clínica para uso de AAS e estatina, essas medicações devam ser mantidas na vigência do tratamento ou mesmo, iniciadas, se não houver contraindicação, porém ainda não há dados suficientes para recomendar o uso da estatina e anti-inflamatórios em todos os pacientes com infecção aguda.

Referência:  Acute Infection and Myocardial Infarction.  Daniel M. Musher, M.D., Michael S. Abers, M.D., and Vicente F. Corrales-Medina, M.D. NEJM,  2019;380:171-6.

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Sobre o autor

Thiago Midlej

Thiago Midlej

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia​ e pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina de São Paulo - I​NCOR​​.
Pós graduando da Unidade de Hipertensão do​​ I​NCOR​
Médico plantonista da Unidade Clínica de Emergência do INCOR
​​Cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

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