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Síndrome pós-pericardiotomia e o estudo COPPS

A síndrome pós-pericardiotomia (SPP) é uma complicação relativamente comum que surge após a cirurgia cardíaca, ocorrendo em um intervalo de dias a semanas após o procedimento cirúrgico. Sua incidência varia de 10-40%. Não há consenso quanto aos critérios diagnósticos. Ocorre, em geral, o surgimento de pericardite ou derrame pericárdico, decorrente da reação inflamatória envolvendo o pericárdio.

A queixa mais comum da SPP é dor torácica que ocorre alguns dias a semanas após uma cirurgia cardíaca. Pode haver também outros sintomas sistêmicos, como fadiga, cefaléia e sudorese. Febre, leucocitose e aumento do VHS podem ser vistos.

Ao exame físico, pode haver atrito pericárdico. A radiografia de tórax pode mostrar aumento da área cardíaca, e o ecocardiograma pode confirmar a presença de derrame pericárdico.

O tratamento dessa síndrome é feito com uso de agentes anti-inflamatórios. Uma boa opção inicial é usar aspirina 800mg VO 3 a 4 vezes por dia, reduzindo 800mg da dose diária a cada semana, para uma duração total do tratamento de 3 a 4 semanas. Uma opção se falência desse esquema é ibuprofeno 300 a 800mg 3 a 4 vezes por dia, com duração conforme necessário. Prednisona pode ser usada em casos refratários. Sempre prescrever junto proteção gástrica. Lembrar que em casos de pericardite pós infarto, outros antiinflamatórios que não aspirina devem ser evitados por prejudicar formação da cicatriz miocárdica.

O ESTUDO COPPS

Nenhuma droga tinha sido comprovada como benéfica na prevenção dessa síndrome até esse ano. O estudo COPPS (COlchicine for the Prevention of the Post-pericardiotomy Syndrome) foi um estudo multi-Cêntrico, duplo-cego, randomizado, que comparou o uso de colchicina X placebo a partir do 3º PO da cirurgia cardíaca. (Dose: 1,0mg VO 2xdia no 1º dia, seguido de 0,5mg 2xd por 1 mês se >= 70kg ou metade se <70kg ou intolerante). Randomizou 180 pacientes em cada grupo, com idade média de 65 anos, e 66% do sexo masculino.

O desfecho primário foi incidência de síndrome pós-pericardiotomia (SPP) em 12 meses. Houve uma redução de risco relativo de 57,9% com o uso da colchicina (8,9% X 21,1%; p 0,002). NNT de 8!

Além disso, mostrou também que a droga é segura (efeitos colaterais importantes: 8,9% X 5,0%; considerados se precisassem de hospitalização, se causassem limitação importante ou se precisassem de intervenção médica).

Uma limitação a esse estudo é que não há consenso quanto aos critérios diagnósticos para a SPP.

Os autores concluem então que a colchicina é segura e eficaz em prevenir SPP e suas complicações.

Referência:
– UpToDate 18.3
– COPPS trial. Eur Heart J 2010. Published online Aug 30.  COPPS-EHJ2010

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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