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SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL E SEGURANÇA CARDIOVASCULAR

suplementos

 

 

Parece claro a todos o grande impacto social da prática de esportes. Em países desenvolvidos o número de atletas profissionais e amadores não para de crescer. Com o crescimento do número de provas vem também um desejo comum de aumentar o rendimento no esporte. As pessoas tem cada vez mais buscado ajuda de suplementação que os permita "pular etapas". É fato que exercícios extenuantes aumentam a produção de radicais livres, aumentam o número de lesões e podem antecipar o envelhecimento. Para combater estes efeitos cresce o número de lojas especializadas com uma infinidade enorme de produtos. Ao entrar em uma destas lojas parece impossível alcançar resultados positivos sem auxílio de uma vitamina, 3 ou 4 antioxidantes, um pre treino para dar uma turbinada e lógico uma proteína – com pelo menos 10g de BCAA pós para melhorar sua recuperação.

Para entendermos melhor o problema vamos esclarecer a definição de suplementação:

De acordo com o Ministério da Saúde, em Portaria de no 32, publicada no Diário Oficial em 1998, suplementos são somente vitaminas e/ou minerais isolados ou combinados entre si, desde que não ultrapassem 100% da IDR (Ingestão Diária Recomendada) . Acima dessas dosagens são considerados como medicamentos, podendo ser de venda livre quando não ultrapassam em até 100% a IDR e vendidos somente com prescrição médica quando apresentam valores acima desses limites.

Os suplementos vitamínicos e/ou de minerais são definidos como

alimentos que servem para complementar com esses nutrientes a dieta diária

de uma pessoa saudável, nos casos em que a sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requer suplementação.

Já produtos como albumina, aminoácidos, hipercalóricos, bebidas isotônicas e produtos à base de carboidratos são considerados, de acordo com

a Portaria de no 222, publicada pelo Ministério da Saúde em 1998, Alimentos

para Praticantes de Atividade Física, uma categoria de produtos com finalidade e público específicos – um subgrupo dos chamados Alimentos para Fins Especiais.

 

Apesar deste crescimento do mercado de suplementação – o número de estudos que avaliam seus efeitos colaterais, riscos a saúde a longo prazo e indicações são muito restritos. Há uma enorme citação de estudos feitos de curto prazo com 12 a 25 pessoas por períodos de tempo muito curto – de onde se tiram conclusões mal fundamentadas.

 

No último congresso americano do ACC houve um grande número de palestras das universidades que são responsáveis por mais de 500 medalhas de ouro olímpico nos EUA e os pesquisadores estão assustados com o crescimento de informações sem fundamento.

 

Chamaram muita atenção para o uso dos ergogênicos ("substâncias ou artifícios utilizados visando a melhora da performance", sendo derivada de duas palavras gregas: ergon, que significa trabalho, e gennan, que significa produção).

 

Os ergogênicos foram dividios em duas categorias:

  1. Usados com intenção de aumento da energia
  • Simpatomiméticos, cafeína, guaraná e l-arginina
  1. Substâncias usadas para aumento de massa muscular e força
  • Esteróides, facilitadores de produção de testosterona, inibidores da miostatina e inibidores do acoplamento mitocondrial.

 

Estudo recente com 329 soldados da marinha americana 75% reportaram uso de ergogênicos – e neste grupo houve 10 eventos. cardiovasculares (fibrilação atrial, 2 episódios de síncope e 2 crises convulsivas) no seguimento e menor performance a longo prazo.

 

Os cientistas das mais renomadas Universidades americanas chamam a atenção para o fato que substâncias como cafeína, taurina, DMAA, efedra, B-alanina, alfa cetoglutamina e esquizandrol estão relacionados a uma sério de efeitos colaterais graves. Estas substâncias são a base do estimulantes pré treino e termogênicos. Nestes casos foram taxativos que seu uso parece aumentar muito a temperatura corporal durante a atividade física, aumenta a chance de rabdomiólise , distúrbios eletrolíticos e ainda pode facilitar um comportamento bastante agressivo com maior chance de um jovem se envolver em acidentes graves!

 

Importante frisar que até 600ml de café ao dia traz enormes benefícios ao coração e redução de ocorrência de tumores como de mama. Estes benefícios estão ligados a associação de antioxidantes a cafeína. Quando a cafeína é isolada em uma capsula o benefício é nulo e há estudos mostrando que capsulas com 200mg de cafeína reduzem significativamente a quantidade de oxigênio para o coração. Em um jovem saudável pode não fazer diferença – mas em uma pessoa que tenha uma doença, mesmo que subclínica (oculta) pode ser o gatilho para um evento mais grave.

 

Em suma se o objetivo é ampliar a saúde e / ou competir o segredo é treinar. Os princípios de treinamento são:

  1. INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA
  2. ADAPTAÇÃO (PERIODIZAÇÃO)
  3. CONTINUIDADE
  4. SOBRECARGA
  5. INTERDEPENDÊNCIA DE VOLUME
  6. ESPECIFIDADE

     

Logo fica claro que o sucesso depende de um bom planejamento junto a um profissional de educação física – "sem pular etapas".

 

Referência: Caffeine Impairs Myocardial Blood Flow Response to Physical Exercise in Patients with Coronary Artery Disease as well as in Age-Matched Controls

 

 

Autor:

Dr. Eduardo Alberto de Castro Roque

Médico com Residência em Clínica Médica – UNIFESP e Cardiologia ( InCor- FMUSP).

Médico Cardiologista do Hospital Metropolitano de Serra – ES

 

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Sobre o autor

Andre Lima

Andre Lima

Editor do site --
Especialista em Cardiologia pela SBC e InCor/ USP --
Especialista em Ecocardiografia pela SBC e InCor/USP --
Especialista em Terapia Intensiva pela AMIB --

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