Insuficiência Cardíaca

TOPCAT – espironolactona para IC com fração de ejeção preservada

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Resultados do esperado estudo TOPCAT (Treatment of Preserved Cardiac Function Heart Failure with an Aldosterone Antagonist) foram apresentados no congresso da American Heart Association essa semana.

Procura-se há tempos alguma droga que possa ter impacto em mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (IC FEP).

Não foi dessa vez. O estudo TOPCAT foi um trial randomizado que avaliou o uso de espironolactona em 3.445 pacientes com IC FEP (> ou = 50 anos e FE VE > ou = 45%) em 6 países. O tempo de seguimento médio foi de 3,3 anos. Foram utilizadas doses de até 45mg/dia dessa droga.

Não houve diferença significativa no desfecho primário composto de mortalidade cardiovascular, parada cardíaca abortada ou hospitalização por IC (18,6% x 20,4% placebo – HR 0,89 (0,77-1,04).

Apesar disso, o uso de espironolactona reduziu significativamente hospitalizações por IC (12% x 14,2% – HR 0,83 (0,69-0,99) p 0,042), o que era esperado, já que essa medicação é um diurético e pode reduzir congestão, e, consequentemente, hospitalização. Efeito este, no entanto, discreto – a cada 46 pctes tratados durante o tempo de seguimento do estudo com a medicação diminuímos 1 internação hospitalar. 

O grupo que recebeu espironolactona apresentou mais hipercalemia que o grupo placebo, sem eventos fatais relacionados à essa alteração (K > ou =  5,5 – 18,7% x 9,1% p < 0,001).

Uma análise post hoc mostrou que para países do continente americano que participaram do estudo (EUA, Canada, Brasil e Argentina), o benefício foi mais claro (houve uma redução de 18% com significância estatística no end point primário (HR 0,82 IC 0,69-0,98), enquanto na Rússia e Rep. Georgia não houve diferença alguma (HR 1,10 IC 0,79-1,51). Isso porque nesses 2 últimos países a incidência de eventos no grupo placebo foi muito baixa. Lembramos, contudo, que o achado de resultados positivos em um subgrupo de um estudo cujo resultado geral foi negativo é sempre de valor limitado. Neste link temos uma ótima revisão do Dr Luis Cláudio sobre o assunto.

A espironolactona pode ser uma alternativa no tratamento da IC FEP. Mas as evidências que suportam o uso dessa droga são fracas e semelhantes às evidências das demais drogas (como candesartan – estudo CHARM-preserved ou perindopril – estudo PEP-CHF).

Resumindo, continuamos carentes de evidências para guiar nosso tratamento nesse grupo de pacientes.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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