Miscelânia

Você sabe quais os achados típicos de trombose venosa profunda na ultrassonografia?

Eduardo Sansolo
Escrito por Eduardo Sansolo

A Trombose Venosa Profunda (TVP), conceituada como a formação de um coágulo (trombo) na luz de uma ou mais veias do sistema profundo, é uma condição prevalente no dia a dia do cardiologista ou clínico. As complicações agudas como a Embolia Pulmonar (EP) e as crônicas, como as formas graves de Insuficiência Venosa Crônica podem ter repercussões catastróficas para o paciente, sendo imperativo sua prevenção através do tratamento eficiente da TVP.

Estima-se que a incidência anual de TVP nos EUA seja de aproximadamente 160 casos por 100 mil habitantes; 50 por 100 mil para Embolia Pulmonar fatal e 300 por 100 mil para úlceras venosas, das quais 25% têm a TVP como etiologia.

Diagnóstico

O diagnóstico apoia-se na suspeita clínica, mas necessita, obrigatoriamente, da confirmação por exames de imagem. Esta suspeita é levantada pela observação dos sinais e sintomas observados no exame físico associados aos fatores de risco de tromboembolismo venoso colhidos pela anamnese.

A confirmação diagnóstica necessita, obrigatoriamente, da visualização do trombo no sistema venoso profundo através de exames de imagem.

Diagnóstico Clínico

Existem alguns sinais e sintomas que, reconhecidamente, fazem parte do quadro da TVP, quais sejam:

  • Edema – edema mole, distribuído de forma uniforme pelo pé e perna. A extensão para a coxa vai depender da extensão proximal do trombo e de quais veias estão comprometidas.
  • Dor – sentida pela compressão sobre o trajeto das veias profundas ou panturrilha. Pode ser simulada através do sinal de Homans, com a dorsiflexão do pé provocando dor na panturrilha.
  • Hiperemia – alterações de coloração como hiperemia, cianose ou até palidez podem ser decorrentes do comprometimento do retorno venoso. Em TVP’s proximais (ilíaco-femorais) com repercussão sobre a circulação arterial podemos ter a Phegmasia alba dolens e a Phlegmasia coerulea dolens, podendo conduzir à gangrena e perda do membro.
  • Calor local
  • Circulação colateral – tentativa do organismo de redistribuir a circulação da veia ocluída.
  • Sinais e sintomas da EP

            Esses sinais e sintomas associados aos conhecidos fatores de risco de tromboembolia venosa levantam a suspeita clínica. Entre os fatores de risco, os mais importantes são:

  • Idade avançada
  • Imobilidade
  • TVP prévia
  • Neoplasias
  • Cirurgias
  • Trauma
  • Trombofilias
  • Gravidez
  • Anticioncepcionais e Terapia de Reposição Hormonal
  • Varizes
  • Obesidade

Infelizmente, os sintomas da TVP não são patognomônicos havendo uma grande incidência de falsos-positivos e falsos-negativos. Em cerca de 50% dos pacientes com suspeita de TVP o diagnóstico não é confirmado pelos exames de imagem.

         Exames de imagem

            EcoDoppler
A ultrassonografia Doppler é o método de escolha para confirmação diagnóstica, classificação e gradação da doença venosa dos membros inferiores. Substituiu o exame padrão-ouro, a flebografia, por ser um método inócuo, não invasivo, totalmente isento de risco para o paciente e que pode ser repetido quantas vezes necessário, inclusive à beira do leito. É um exame examinador-dependente, porém se feito por médico capacitado tem taxas de sensibilidade e especificidade de, respectivamente, 72-84% e 53-74%. O médico ultrassonografista promove a compressão da região com o transdutor (coxa, fossa poplítea ou panturrilha) de ultrassom. Devido à delgada camada elástica das veias, suas paredes devem ser facilmente colabáveis com a compressão manual com o transdutor, sendo a incompressibilidade venosa diagnóstica de TVP. Associado ao modo bidimensional cinza, o color Doppler evidenciando ausência de fluxo confirma a doença.

Referências bibliográficas:

  • Nordstrom M, Lindblad B, Berqvist D, Kjellstrom T. A prospective study of the incidence of deep vein thrombosis within a defined urban population. J Intern Med 1992; 232(2):155-60.
  • Nelzen O, Bergqvist D, Lindhagen A. Leg ulcer etiology – a cross sectional populational study. J VasC Surg 1991;14(4):557-64.
  • Rose SC, Zwiebel Wj, et al. Sympotomatic lower extremity deep venous thrombosis. Accuracy, limitations, and roel of color Duplexflow imaging in diagnosis. Radiology 1990; 175:639.
  • Danzat MM, Laroche J, Charras C, Blin B. Real-Time B-mode ultrassonography for better specificity in the non-invasive diagnosis of deep venous thrombosis. J ultrasound Med 1986;5:624-631.

Publicidade

Deixe um comentário

Sobre o autor

Eduardo Sansolo

Eduardo Sansolo

Deixe uma resposta

Seja parceiro do Cardiopapers. Conheça os pacotes de anuncios e divulgações em nosso MídiaKit.

Anunciar no site
%d blogueiros gostam disto: