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Uso de estatinas e sintomas musculares: devemos evitar exercício físico?

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As estatinas estão entre as drogas de mais usadas na população mundial contemporânea. Isso se deve à sua consolidada e indiscutível eficácia na prevenção de eventos cardiovasculares ateroscleróticos. No entanto, sintomas musculares associados às estatinas (SMAE) afetam uma parcela não desprezível de seus usuários, em parte por meio de disfunção mitocondrial muscular relacionada a estatinas. Isso pode afastar estes pacientes da prática de atividade física, primordial na prevenção de eventos cardiovasculares ateroscleróticos e seus fatores de risco. Portanto, é fundamental entender o papel da introdução de atividade física na performance e fisiologia muscular de usuários de estatina,  especialmente se esta diverge conforme o uso ou não de estatinas e presença ou não de SMAE.

Allard et al testaram esta hipótese em estudo de intervenção, testando 12 semanas de atividade aeróbica e resistida moderada em usuários de estatinas com e sem SMAE (16 em cada grupo) versus controles de não usuários de estatinas (20 indivíduos). Os desfechos analisados foram mudança em parâmetros de performance aeróbica, resistência muscular, e por meio de biópsia muscular, medida de desempenho metabólico glicolítico, quantificação de fibras musculares e densidade de capilares, e finalmente qualidade de vida. Ou seja, por um lado houve uma ampla avaliação funcional, histológica, fisiológica muscular, mas por outro limitação no tamanho da amostra.

A intervenção consistiu de 12 semanas de atividades aeróbica (2 sessões por semana de 40 minutos de cicloergômetro a 70-80% da frequência cardíaca máxima) e resistida (60 minutos por semana – 3 séries de 12 repetições de exercícios variados para pernas e braços). Os pacientes do estudo tinham idade em torno de 65 anos, com pouco mais do dobro de homens versus mulheres tanto no grupo de usuários de estatina com e sem SMAE. O treinamento físico aumentou modestamente a força muscular, resistência a fadiga e capilarização de fibras de forma indistinta em não usuários de estatina, usuários de estatina sem e com SMAE. Por outro lado, a atividade de citrato sintase, tomado como um equivalente de densidade mitocondrial, aumentou de forma mais tênue em usuários de estatinas sem SMAE versus controles (não usuários de estatinas). Consumo máximo de O2, capacidade de produção de ATP, tamanho de fibras e sintomas musculares mantiveram-se estáveis em todos os grupos após a intervenção. Em contraposição à maioria dos outros desfechos, índices de qualidade de vida aumentaram apenas nos usuários de estatina com SMAE.

Em resumo, um curso relativamente curto de atividades moderadas aeróbicas e anaeróbicas aumentou a performance muscular e densidade capilar muscular de forma independente do uso estatinas assim como presença ou não SMAE. Em avaliação de desfechos secundários, não há piora de sintomas musculares. E nos usuários de estatina com SMAE, inclusive houve melhora da qualidade de vida. O estudo sugere que usuários de estatinas que desenvolvem sintomas musculares relacionados às estatinas não devem ser privados de atividades físicas moderadas.

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Paulo Henrique Nascimento Harada

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