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Vacina para COVID e miocardite: o que você precisa saber?

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A vacinação é um componente essencial da estratégia de saúde pública para acabar com a pandemia de COVID-19, mas relatos de miocardite aguda após a administração da vacina de mRNA COVID-19 geraram receio entre médicos e pacientes. Novos dados recentemente publicados vêm trazendo uma nova perspectiva diante dessa possível complicação: a miocardite associada ao uso das vacinas para covid é geralmente leve e autolimitada.

Um trabalho publicado no JAMA avaliou a incidência de miocardite aguda e os desfechos clínicos entre adultos após vacinação com mRNA nos Estados Unidos. Neste estudo de coorte de base populacional foram incluídos cerca de 2,4 milhões de indivíduos com mais de 18 anos que receberam pelo menos 1 dose de vacinas de mRNA COVID-19 (Pfizer ou Moderna) e casos potenciais de miocardite pós-vacinal foram identificados com base em relatórios de médicos para KPSC Regional Immunization Practice Committee e por hospitalização identificada dentro de 10 dias após a administração da vacina com um diagnóstico de alta de miocardite.

Desse total de pacientes, houve 15 casos de miocardite confirmada no grupo vacinado (2 após a primeira dose e 13 após a segunda), ou seja, uma incidência observada de 0,8 casos por 1 milhão após a primeiras doses e 5,8 casos por 1 milhão após segundas doses. Oito desses pacientes receberam Pfizer e sete a vacina da Moderna. Nenhum dos 15 pacientes necessitou de internação em unidade de terapia intensiva e todos responderam bem ao tratamento, com rápida melhora.

Um fator que chamou atenção na população que apresentou este efeito colateral foi que todos eram homens e com mediana de idade de 25 anos. Entretanto, não há justificativa para esse grupo suspender o uso de vacinas de mRNA, pois a incidência de dessa complicação foi rara, sem casos graves e com rápida recuperação dos indivíduos.

Além desse trabalho que apresenta dados da baixa incidência de miocardite após vacina mRNA COVID19 na população adulta, o FDA revisou os dados dos ensaios clínicos sobre a vacina da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos e concluiu que os benefícios superam os riscos. Este documento foi publicado essa semana no site da FDA e nenhum caso de miocardite ou pericardite foi detectado entre as crianças inscritas nos ensaios clínicos iniciais. Lembrando que esta população recebe um terço da dose administrada em adultos e adolescentes e apesar do risco teórico dessa reação adversa, as crianças hospitalizadas para COVID-19 tendem a ficar muito mais graves do que as internadas por miocardite pós vacina.

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Maria Tereza Sampaio de Sousa Lira

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