Perioperatório

Viu o novo escore de risco pré-operatório?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

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Existem vários escores para avaliar o risco de um paciente submetido à cirurgia não cardíaca evoluir com complicações cardiovasculares. Entre eles, o escore de Lee, o escore do American College of Physicians e o EMAPO, todos recomendados pela diretriz brasileira de perioperatório da SBC. O escore de Lee termina sendo o mais usado na prática porque é fácil de ser memorizado (vide figuras abaixo). Já o escore mais acurado que é o American College of Surgeons é bem extenso, sendo pouco prático para o dia a dia. 

Recentemente foi publicado no JACC artigo sobre um novo escore. Vamos aos pontos mais relevantes deste estudo:

  • Os autores elaboraram um novo escore com 6 características a partir de uma coorte prospectiva com 3.284 pctes. Os fatores incluídos foram:
    1. Idade ≥ 75 anos
    2. Hb ≤ 12
    3. História de cardiopatia
    4. Angina ou dispneia
    5. Cirurgia vascular
    6. Cirurgia de emergência
  • Cardiopatia era definida como a presença de qualquer um dos seguintes: infarto prévio, hx de angioplastia coronariana, hx de cirurgia cardíaca, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial ou valvopatia moderada/importante no eco. 
  • Angina era definida como dor torácica opressiva aos esforços. Dispneia era definida com falta de ar aos esforços habituais. 
  • O endpoint primário avaliado era morte + infarto + AVC nos primeiros 30 dias da cirurgia.
  • Quanto maior a quantidade de pontos preenchidas pelos pacientes, maior o risco de eventos (variando de 0% nos pctes sem fatores de risco até 15,7% nos pctes com mais de 3 fatores).
  • Após terem chegado a estes fatores, o escore foi validado em um grande banco de dados americano com mais de 1 milhão de pacientes.
  • Ao avaliar-se nesta população 3 escores (o novo, o ACS-NSQIP e o Lee), viu-se que o que apresentou melhor acurácia foi o novo escore (estatística C de 0,90; 0,89; 0,78, respectivamente). 
  • Ou seja, o escore novo teve acurácia praticamente similar ao ACS sendo muito mais simples de ser calculado na prática. 
  • Em relação ao Lee, além de ter apresentado acurácia melhor, o novo escore também tem a vantagem de ter incluído cirurgias mais heterogêneas na sua derivação, incluindo cirurgias de baixo risco e de emergência. 

Resumo da ópera:

  • Os autores validaram um novo escore com excelente acurácia e de fácil uso prático.
  • Pctes com 0 ou 1 fator de risco são considerados de baixo risco. Com 2 ou 3 fatores de risco = risco moderado. Se > 3 fatores de risco = alto risco de eventos cardiovasculares perioperatórios. 


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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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