Atividade Física

Atividade Física Tem Maior Benefício em Mulheres!

Escrito por Humberto Graner

Esta publicação também está disponível em: Português

Embora a atividade física seja amplamente recomendada para reduzir os riscos cardiovasculares e de mortalidade por todas as causas, as mulheres ficam consistentemente atrás dos homens na prática de exercícios. Mas, os benefícios da atividade física à saúde podem ser diferentes entre os sexos? Esta é uma pergunta que tem muito sentido, mas ainda mal compreendida. Afinal de contas, as doenças cardiovasculares (DCV) e a idade de início destas são diferentes entre homens e mulheres.

Em um estudo prospectivo com 412.413 adultos norte-americanos (55% mulheres, idade 44 ± 17 anos) que relataram suas rotinas de atividade física no lazer, foram realizadas análises de associações entre atividade física (ajustadas para variáveis ​​específicas, como frequência, duração, intensidade, tipo) e mortalidade por todas as causas e mortalidade cardiovascular de 1997 a 2019.

Os resultados foram surpreendentes.  As mulheres se beneficiam muito mais da atividade física do que homens. Por exemplo, os homens que praticam AF regularmente demonstraram um risco 14% menor de mortalidade por DCV, enquanto as mulheres demonstraram uma redução de 36%. Da mesma forma, os homens que participaram de atividades de musculação apresentaram um risco de morte por DCV 11% menor, enquanto nas mulheres, essa redução foi de 30%.

Estas conclusões destacam os efeitos benéficos da atividade física tanto entre homens e mulheres, mas sobretudo, enfatizam que as mulheres experimentam ganhos significativos com menos exercício em comparação com os homens.

Estas diferenças são também notáveis, porque qualquer intervenção preventiva é geralmente mais eficaz no grupo de maior risco. No entanto, as mulheres têm sabidamente menor risco de DCV, pelo menos em idades mais jovens. Neste estudo, 90% dos indivíduos acompanhados tinham menos de 65 anos.

Este é um estudo valioso e provocativo: teriam os homens que se exercitarem mais, para conseguirem os mesmos benefícios que as mulheres? Quais seriam os mecanismos por trás dessas diferenças? Por enquanto, tanto homens como mulheres devem continuar segundo as Diretrizes nacionais e internacionais que sugerem pelo menos 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderadamente vigorosa, como caminhada rápida, ou  75 a 150 minutos por semana de atividade física vigorosa (como corrida), além de duas sessões por semana de treinamento de força.

Como ponto forte, o fato de ser uma coorte prospectiva, que acompanhou um grande número de indivíduos por mais de 20 anos. Por outro lado, uma limitação seria a obtenção dos dados relativos à atividade física por autorrelato – haveria diferença nos relatos entre homens e mulheres?

Seria interessante, com os wearables disponíveis atualmente, que esses resultados pudessem ser reproduzidos, agora utilizando contadores de passos e acelerômetros.

Referência

Ji H, Gulati M, Huang TY, et al. Sex Differences in Association of Physical Activity With All-Cause and Cardiovascular Mortality. J Am Coll Cardiol. 2024;83(8):783-793. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0735109723083134?via%3Dihub

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Sobre o autor

Humberto Graner

Co-Editor do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Medicina Intensiva
Professor das Faculdades de Medicina da UFG e UniEvangélica (Goiás)
Doutor em Ciências pelo InCor-HCFMUSP
Fellowship em Coronariopatias Agudas pelo InCor-HCFMUSP
Coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Goiânia (GO)
Pesquisador da ARO (Academic Research Organization) - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo (SP)

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