Arritmia Terapia Intensiva Cardiológica

Fibrilação atrial aguda em pacientes internados

Escrito por Eduardo Castro

Esta publicação também está disponível em: Português

Seguem os 10 principais pontos na abordagem da fibrilação atrial (FA) em pacientes internados.

1- A FA aguda é definida como aquela detectada no cenário de cuidados intensivos ou doença aguda – isso inclui FA ocorrendo durante a hospitalização. Ela pode ser detectada ou tratada pela primeira vez durante a hospitalização por outra condição.

2- A FA aguda é comum, e está associada a alto risco de recorrência de FA a longo prazo, justificando atenção clínica durante a hospitalização, na transição de cuidados, e ao longo seguimento a longo prazo

3- Avaliar potenciais substratos e gatilhos pode ser útil para a abordagem e manejo da FA que ocorre durante a hospitalização aguda. FA após cirurgia cardíaca é um tipo distinto de FA aguda.

4- O manejo agudo da FA que ocorre durante a hospitalização requer uma abordagem multifacetada. Os principais componentes do tratamento agudo incluem

  • a identificação e tratamento de gatilhos (triggers),
  • seleção e implementação de controle de frequência/ritmo, e
  • gerenciamento de anticoagulação.

5- A estratégia de controle agudo da frequência ou do ritmo deve ser individualizada, levando em consideração a capacidade do paciente de tolerar os riscos destas diferentes abordagens, incluindo possíveis frequências rápidas ou dissincronia atrioventricular.

6- Em pacientes hemodinamicamente instáveis, a CARDIOVERSÃO ELÉTRICA SINCRONIZADA IMEDIATA é o tratamento de escolha. O controle do ritmo também deve ser considerado para pacientes incapazes de obter controle de frequência clinicamente adequado, apesar do uso ideal de agentes bloqueadores do nodo AV, e controles dos gatilhos agudos. Monitorização hemodinâmica e profilaxia para tromboembolismo deve ser SEMPRE considerada, independente se cardioversão elétrica ou química.

7- A indicação de anticoagulação é baseada no substrato, e a implementação desta estratégia profilática é baseada no risco de sangramento do paciente e as condições clínicas da doença aguda.

8- Dado o alto risco de recorrência de FA em pacientes com FA aguda, o acompanhamento clínico e o monitoramento do ritmo cardíaco por períodos estendidos são necessários para otimizar o manejo a longo prazo desses pacientes.

9- O manejo geral da FA aguda aborda substratos e gatilhos utilizando os mnemônico “3As” do tratamento agudo:

Gatilhos Agudos,
Administrar frequência/ritmo
Anticoagulação

No acompanhamento a longo prazo, o mnemônico é AMAM:

Administrar frequência/ritmo
Monitorar o ritmo cardíaco
Anticoagulação
Modificação no estilo de vida e fatores de risco

10- Os pacientes com FA aguda se beneficiam de abordagem multidisciplinar de cuidado, permitindo tratamentos adequados adaptados aos substratos subjacentes do paciente e condições agudas.

Referência:

Chyou JY, Barkoudah E, Dukes JW, et al. Atrial Fibrillation Occurring During Acute Hospitalization: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation 2023;Mar 13:[Epub ahead of print].

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Sobre o autor

Eduardo Castro

Eduardo A Castro
Médico da Cardiologia Metropolitano - METROCOR
Especialista em Cardiologia pela SBC, Pos graduação pelo INCOR- FMUSP,
Coordenador da Residência Médica em Cardiologia do Hospital Metropolitano,
Professor de Cardiologia na Multivix.

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