Coronariopatia

Qual a prevalência de coronariopatia subclínica na população?

Escrito por Giordano Bruno

Esta publicação também está disponível em: Português

Com o advento de métodos de imagem como o escore cálcio e angiotomografia (angioTC) de coronária, começamos a ver muitos casos de coronariopatia subclínica no consultório. São aqueles pacientes assintomáticos mas que mostram indícios de aterosclerose por exames de imagem. Mas, qual a real prevalência disso? Quão comum é que um paciente adulto sem sintomas tenha coronariopatia subclínica?

Estudo sueco com mais de 25.000 indivíduos entre 50 e 64 anos e sem história de cardiopatia avaliou justamente essa pergunta. Os pacientes foram submetidos a escore de cálcio e angioTC de coronária determinou a presença de doença subclínica inclusive correlacionando as informações de um em relação ao outro. Estes foram os achados:

Algum grau de aterosclerose foi encontrado em 42,1% dos investigados
Estenose importante foi vista em 5,2%
– Casos sérios, definidos como lesão de TCE, proximal de DA ou doença triarterial foram 1,9% da população
– Todos que tinham escore de cálcio maior que 400 tinham aterosclerose, sendo que destes quase metade (45,7%) tinham lesões importantes
– Participantes somente com placas não-calcificadas foram raros (2,4%), e o segmentos mais frequentemente acometido foram as porções proximais da árvore coronária, e em particular da artéria descendente anterior.
– Somente 5,5% daqueles com escore de cálcio ZERO tinham aterosclerose, aumentando para 9,2% dos pacientes considerados de alto risco no escore de risco em 10 anos, além de também aumentar em homens, com mais idade, fumantes, hipertensos, com LDL alto e obesos.

– Em só 0,4% daqueles com escore ZERO achou-se doença significativa.
– Como esperado, a idade e um maior escore de risco em 10 anos foram proporcionais a doença, encontrando nas mulheres um atraso evolutivo das lesões em torno de 10 anos

Mas quais seriam as implicações clínicas ?
Este estudo mais uma vez reforça que provavelmente os pacientes mais beneficiados com investigação de aterosclerose subclínica são os de risco INTERMEDIÁRIO, uma vez que intensificação ou abrandamento das metas já estão comprovadas como solução única nos 2 extremos (baixo e alto risco). E mesmo nos pacientes com risco INTERMEDIÁRIO e escore de cálcio ZERO encontramos 9,2% de aterosclerose subclínica.

Lembrando o que as diretrizes atuais falam sobre escore cálcio:

Como limitação desse estudo teríamos uma maior tendência a indivíduos mais predispostos a DAC terem aceitado participar, contaminando a amostra. Esta hipótese foi afastada com a comparação dos dados da amostra com o dados de registro demográfico sueco. Além disso não sabemos se diferenças genéticas e do estilo de vida validam essas informações para outras populações.

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Sobre o autor

Giordano Bruno

Médico Cardiologista e Ecocardiografista formado pela UFPE
Supervisor da residência em cardiologia do Hospital Agamenon Magalhães - SES/PE
Coordenador dos protocolos da cardiologia do Realcor / Real Hospital Português/PE

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