Coronariopatia Miscelânia

Elevação isolada de CKMB

 

Há mais de 30 anos a dosagem de CKMB tem sido usada para diagnóstico de infarto agudo do miocárdio.

Em casos que ocorre elevação da CKMB sem alteração da troponina, devemos considerar a hipótese de esse exame ser um falso-positivo.

Quando o exame solicitado for a CKMB atividade, podemos aplicar uma fórmula que pode nos ajudar nessa avaliação: (CKMB ativ / CPK) x 100.

Se relação < 4%, pouco sugestivo de síndrome coronariana. Se entre 4 e 15%, pensar em síndrome coronariana aguda. Se > 25%, pensar em macro-enzimas.

Existem 3 isoenzimas da creatina fosfoquinase (CPK) – a MM, encontrada no músculo esquelético; a BB, encontrada no tecido cerebral; e a MB, no músculo cardíaco.

Normalmente, a atividade isoenzimática no soro humano é de cerca de 96% para CK-MM e 4% para CKMB.

O CK-BB normalmente está ausente no sangue periférico. Apesar disso, uma forma atípica de BB pode ser liberada pelo trato gastrointestinal, bexiga, rins, próstata e útero, em casos de comprometimento maciço desses órgãos, como em casos de neoplasia, por exemplo.

Em casos de elevação da CKMB isolada, devemos pensar na presença de duas isoenzimas macromoleculares – a macro-CK tipo 1 e a macro-CK tipo 2.

A tipo 1 é um complexo da CK-BB ou CK-MM ligado a IgG ou IgA, e podem estar relacionadas à quadros de miosite / processo auto-imune. Já a tipo 2 é um complexo oligomérico de origem mitocondrial, que está associado à presença de neoplasias (mais comum colônica ou hepática).

Outras causas de elevação de CK-BB são: uso de esteróides sexuais, atividade da vitamina D e seus metabólicos, estrogênio e PTH, glicocorticoides, isquemia e reperfusão hepática, uropatia obstrutiva e azotemia. Como várias outras causas podem elevar a CK-BB, essa não pode ser considerada um marcador tumoral.

Assim, se um paciente apresentar elevação isolada da CKMB, realize investigação da presença de macro-creatinoquinase. Se macro-CK tipo 2 presente, considerar investigação de neoplasias.

 

Referência

1. Uma macromolécula capaz de alterar o resultado da CKMB e induzir ao erro no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. Camarozano ANA, Henriques LMG.Arq Bras Cardiol 1996 66(3):143.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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