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Guia de medicamentos cardiovasculares: Nitroprussiato de sódio

 

Indicação: pode ser utilizado em emergências hipertensivas, como hipertensão maligna, encefalopatia hipertensiva, acidente vascular cerebral; em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada; em casos de insuficiência valvar mitral ou aórtica grave; no manejo hemodinâmico no intra e pós-operatório de cirurgias cardíacas.

Mecanismo de ação: potente vasodilatador arterial e venoso. Reduz pré e pós carga, melhorando assim a função do VE em pacientes com IC e baixo débito.

  Após o término da infusão seus efeitos se mantêm por 1 a 10 minutos.

Apresentação: frasco-ampola: 50mg/2ml

 

     Solução padrão: concentração 200mcg/ml

         Soro Glicosado 5%                   248 ml  EV em bomba de infusão contínua

        + Nitroprussiato 50mg/2ml – 1 ampola 

 

Posologia: 0,5 a 10 mcg/kg/min. (não utiliza a dose máxima por mais de 10 minutos)

Cuidados: pode diluir em Soro Glicosado 5% (preferencialmente) ou em Soro Fisiológico 0,9%. Necessita de proteção à luz. Infusão por acesso central ou periférico com bomba de infusão.

    Devido ao efeito rápido e potente, deve-se realizar controle rigoroso da pressão artérial, idealmente com monitorização de PA invasiva.

Contra-indicações: pacientes com hipertensão compensatória, como, por exemplo, pacientes com shunt arterio-venoso ou estenose aórtica; atrofia ótica congênita ou ambliopia por tabagismo.

Efeitos colaterais: hipotensão grave, metemoglobinemia, intoxicação por cianeto. Pode causar náuseas, vômitos, espasmo muscular, cefaléia, diaforese, taquicardia reflexa, flushing.

Uso na gravidez: C. Não se conhece seus efeitos sobre o feto ou capacidade de reprodução. Usar somente se o possível benefício materno justificar o risco fetal. Não se sabe se o nitroprussiato é excretado no leite materno.

Nomes comerciais: Nipride®; Nitropress®.

Intoxicação por cianeto: o uso por tempo prolongado de nitroprussiato de sódio pode levar a um acúmulo de cianeto.

   Essa intoxicação se manifesta com acidose metabólica (láctica), hiperoxemia venosa, falta de ar, confusão mental e até morte.

   Se dose acima de 2 mcg/kg/min por mais de 3 dias, deve-se monitorizar níveis de tiocianato diariamente.

   O tratamento da intoxicação por cianeto pode ser feito com o uso da hidroxicobalamina. A hidroxicobalamina é um precursor de vitamina B12, que contém uma porção de cobalto que se liga avidamente ao cianeto intracelular, formando a cianocobalamina. Utiliza-se a dose de 70mg/kg de hidroxicobalamina (em adulto, aproximadamente 5g) endovenosa. Pode-se repetir metade dessa dose se necessário. Efeitos colaterais da hidroxicobalamina são: erupções de pele, cefaleia, náuseas, linfopenia, disfagia.

    Uma alternativa de tratamento é a administração de tiossulfato de sódio, que aumenta a capacidade orgânica de eliminar íons cianeto. O tiossulfato de sódio tem apresentação de 250mg/ml; em geral, em adultos, se administra primeiro 300mg de nitrito de sódio (10ml da solução a 3%) EV em 20 minutos. Depois, administra-se 12,5g EV lento (em mais de 10 minutos) de tiossulfato de sódio. Se necessário, repetir após 30 minutos metade da dose do tiossulfato de sódio. Contra-indicado o uso associado a hidroxicobalamina.   

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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