Hemodinâmica

Aneurisma de aorta em pacientes nonagenários: o que fazer?

Escrito por Eduardo Sansolo

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A correção endovascular do aneurisma de aorta abdominal (EVAR) é considerado, de acordo com os principais guidelines, a primeira opção para pacientes portadores de AAA >5.5 cm e razoável expectativa de vida (1,A). Os estudos clínicos que suportam essa indicação incluem número significativo de pacientes idosos sexa, hepta e octagenários (até 89 anos), os quais compõem a quase totalidade dos doentes “operáveis” com AAA. Mas, o que fazer frente a um aneurisma de aorta em pacientes nonagenários?

A incidência de AAA aumenta de acordo com a idade desde 7.8 casos /100.000 pessoas (40 a 44 anos) até 3.003 /100.000 pessoas >80 anos. A parcela de nonagenários (NG) vem crescendo significativamente nas últimas décadas. Nos EUA correspondem a 4.7% dos idosos (>65 anos) e serão >10% em 2050 possuindo expectativa de vida de aproximadamente 5 anos.

EVAR oferece a possibilidade de tratamento minimamente invasivo para pacientes idosos e com comorbidades portadores de aneurismas grandes e sintomáticos, os quais teriam sido rejeitados para intervenção há 2 décadas. Entretanto, as evidências na literatura sobre o resultado de EVAR em pacientes nonagenários permanece escassa.

Houve a publicação recentemente no JACC de um estudo com o objetivo de comparar os resultados perioperatórios de EVAR em nonagenários (NG) e não-nonagenários (NNG). Este estudo analisou retrospectivamente os dados de 2012 a 2017 da base de dados cirúrgica americana (NSQIP Database). A NSQIP é um programa de aperfeiçoamento e melhora da qualidade de cuidados perioperatórios que engloba mais de 500 hospitais internacionalmente coletando,  prospectivamente, dados de aproximadamente 150 variáveis .

Neste estudo um total de 12.267 pacientes foram submetidos a EVAR por AAA infra-renal durante este  período, dos quais 365 (3%) foram realizados em nonagenários. A mortalidade global em 30 dias correspondeu a 2.4% (9.9% em NG vs 2.2% em NNG p < 0.001). Após realização de regressão logística multivariada os seguintes fatores foram identificados como preditores independentes de mortalidade: idade >90 anos, sexo masculino, baixo status funcional, doença renal crônica dialítica e aneurisma roto.

Seguiu-se, então, ajuste e pareamento dos grupos de acordo com os fatores de risco pré-operatórios, não sendo evidenciada diferença estatística significativa em nenhum dos parâmetros, quais sejam: mortalidade perioperatória 5.3% em NG vs 3% em NNG (p = 0.15), taxa de complicações maiores (MAE) 7% em NG vs 4.6% em NNG (p = 0.22), taxa de reintervenção (5.3% em NG vs 5.3% em NNG; p = 0.99).

Este estudo tem importância por reunir a maior série de pacientes nonagenários submetidos a EVAR e se prestou a avaliar os resultados a curto prazo (30 dias) de EVAR em nonagenários e não-nonagenários com a intenção de responder a questão: a idade é um preditor de mortalidade? Para tanto, uma regressão multivariada seguida de pareamento das comorbidades foi realizada sugerindo que idade > 90 anos, per se, não deve excluir pacientes de EVAR., uma vez que este procedimento em nonagenários selecionados parece ser seguro e eficaz não implicando maiores taxas de hospitalização ou reintervenção no curto prazo. Está frente a aneurisma de aorta em pacientes nonagenários? Não descarte tratamento invasivo apenas por causa da idade.

Referência bibliográfica:

Prendes F. Carlota, Tsilimparis Nikolaos, et al. Endovascular Aortic Repair in Nonagenarian Patients. J Am Coll Cardiol 2021;77:1703-13

 

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