Coronariopatia Emergências Hemodinâmica

Você sabe o que é fluxo TIMI? Veja exemplos práticos.

Fábio Augusto Pinton

Frequentemente, quando vemos laudos de cinecoronariografias ou angioplastias coronarianas, nos deparamos com a descrição de uma artéria coronariana, seguido de “fluxo TIMI 0, 1, 2 ou 3”. Mas o que é isso? Como é feita essa graduação?

Antes de responder essa pergunta, precisamos voltar um pouco no tempo. Nos anos 80, com o objetivo de avaliar a eficácia da estreptoquinase (STK) e de outros agentes trombolíticos no tratamento do infarto agudo do miocárdio, o U.S. National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI) criou o Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI) Study Group, formado por investigadores experientes e unidades coronarianas bem equipadas dos Estados Unidos. Na ocasião, o Dr Eugene Braunwald foi convidado a coordenar o grupo, permanecendo no cargo até 2011, quando foi substituído pelo Dr Marc Sabatine, ambos professores de Harvard Medical School.

O primeiro estudo TIMI, foi um estudo de fase I, que comparou infusão endovenosa de  STK versus infusão endovenosa de alteplase (tPA), em pacientes com infarto agudo do miocárdio e confirmação angiográfica da artéria coronária relacionada ao infarto totalmente ocluída. Como o desfecho primário era recanalização da artéria vista no cateterismo após 90 minutos do início da infusão dos fibrinolíticos, critérios rígidos dos vários graus de oclusão e reperfusão coronariana tiveram que ser definidos. Com isso, o grupo TIMI criou as definições de perfusão coronariana após trombólise, classificadas da seguinte maneira:

  • Grau 0 (sem perfusão): Não há fluxo anterógrado coronariano após o ponto de oclusão.

  • Grau 1 (penetração sem perfusão): O contraste ultrapassa o ponto de obstrução porém não preenche todo o leito coronariano distal à obstrução.

  • Grau 2 (perfusão parcial): O contraste ultrapassa a obstrução e preenche todo o leito coronariano distal, porém a velocidade de preenchimento e/ou o esvaziamento do contraste distal à lesão são mais lentos que das outras artérias ou do leito coronariano proximal à lesão.

  • Grau 3 (perfusão completa): O fluxo anterógrado e o esvaziamento do contraste no leito distal à obstrução ocorre de forma semelhante ao de outras artérias ou ao leito coronariano proximal à lesão.

Dos 214 pacientes com oclusão total da artéria relacionada ao IAM (fluxo TIMI 0) incluídos neste estudo, 60% dos pacientes atingiram fluxo TIMI 2 ou 3 após administração de tPA e 35% no grupo STK (p < 0,001), demonstrando superioridade da tPA em relação à STK.

Posteriormente, outros estudos validaram a classificação de fluxo TIMI para angioplastia coronariana e também a sua correlação com o prognóstico, mostrando que quanto menor o grau do fluxo TIMI, maior é a mortalidade dos pacientes. Baseado nisso, o critério de sucesso angiográfico de angioplastia coronariana ficou definido por lesão residual inferior a 20% e com fluxo TIMI 3.

Em resumo, a classificação de perfusão coronariana criada pelo grupo TIMI e ainda utilizada atualmente, define com clareza os graus de perfusão coronariana, permitindo medir o efeito dos tratamentos (trombólise e angioplastia), além de fornecer informações sobre o prognóstico do paciente.

 

 

Publicidade

Banner Atheneu

Banner Curso Pré Operatório

Deixe um comentário

Sobre o autor

Fábio Augusto Pinton

Fábio Augusto Pinton

- Especialista em Cardiologia pelo InCor - FMUSP e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia
- Especialista em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista pelo InCor - FMUSP e pela Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
- Cardiologista Intervencionista do Hospital Sírio-Libanês, da Santa Casa de São Paulo e do InCor

Deixe uma resposta

Seja parceiro do Cardiopapers. Conheça os pacotes de anuncios e divulgações em nosso MídiaKit.

Anunciar no site
%d blogueiros gostam disto: