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Escore de Cálcio Coronário: Como é feito? Para que serve? Como interpretá-lo?

Alexandre Volney
Escrito por Alexandre Volney

O Escore de Cálcio Coronário (EC) é uma metodologia já bastante consagrada e embasada cientificamente, como um preditor independente de eventos cardiovasculares futuros, agregando risco a estratificação tradicional realizada por meio de escores clínicos.

A calcificação da parede vascular é um marcador bastante específico do processo aterosclerótico. Nesse sentido, o EC apresenta elevada sensibilidade para a detecção de aterosclerose subclínica, capaz de identificar doença coronária muitos anos antes do sua apresentação clínica, além de quantificar sua extensão e distribuição.

É um exame tomográfico sincronizado ao eletrocardiograma para minimizar artefatos de movimentação cardíaca e coronariana, expondo o paciente a baixa dose de radiação. Em geral não requer controle de frequência e não se utiliza contraste iodado.

A análise do EC é definida como uma lesão hiperatenuante acima do limiar de 130 unidades Hounsfield (HU) em uma área de dois ou mais pixels adjacentes, observada no trajeto coronariano. O produto da área total de cálcio por um fator derivado da atenuação máxima (Maximal Computer Tomographic Number) é o escore de cálcio publicado por Agatston et al e cuja unidade leva o seu nome.

Por exemplo: na figura a abaixo a calcificação no trajeto da artéria descendente anterior apresenta atenuação máxima de 300 HU e tem uma área de 10mm2. Assim, essa calcificação tem 3 (máximo denominador) x 10mm2 correspondendo a 30 Agatston. A somatória de todas as placas calcificadas coronarianas resultam no escore de cálcio total do paciente.

SCORE CALCIO

Os dados obtidos pelo EC são descritos tanto em valores absolutos quanto em percentis populacionais de acordo com a idade, sexo e etnia, como forma de refinar a análise e a sensibilidade do método. Dessa forma, considera-se como um EC significativo quando esse é maior que 100 Agatston em valores absolutos ou se encontra acima do percentil 75 para mesma faixa etária e sexo, devendo-se, a partir de então, rever a classificação de risco do paciente obtida pelos escores tradicionais.

Nos próximos post discutiremos a aplicação do escore de cálcio em cenários clínicos específicos. Até lá!

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Sobre o autor

Alexandre Volney

Alexandre Volney

Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007)
Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009),
Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011)
Especialista em Ecocardiografia (SBC)

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