Coronariopatia Imagem cardiovascular

As características das placas ateroscleróticas na tomografia cardíaca têm importância?

Alexandre Volney
Escrito por Alexandre Volney

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A doença coronariana é uma enfermidade sistêmica que pode se manifestar de forma aguda ou crônica e que tem como substrato anatômico o processo aterosclerótico. Grande parte dos eventos agudos acontecem por rotura de placas ateroscleróticas não obstrutivas e subclínicas. 

Estudos anatomo-patológicos pós-morte têm demonstrado algumas características comuns a esses eventos como fina capa fibrótica em placa volumosa com núcleo lipídico, remodelamento positivo e infiltração macrofágica. 

Existem diversas técnicas capazes de identificar algumas dessas características como o IVUS e o OCT. Entretanto, são limitadas devido a sua natureza invasiva. Por outro lado, a angiotomografia coronariana apresenta boa resolução para identificar algumas dessas características, de forma não invasiva. Apresento abaixo alguns aspectos das placas ateroscleróticas identificados pela AngioTC que podem significar maior propensão a eventos clínicos (vulnerabilidade):  

  1. Remodelamento positivo: crescimento desproporcional da parede vascular em relação a um segmento saudável (proximal ou distal), podendo ou não comprometer o lúmen.  
  2. Baixa atenuação tomográfica: a trombogenicidade de placas vulneráveis está relacionada ao componente lipídico (core). Em tomografia, componentes lipídios apresentam baixa atenuação topográfica. No caso da AngioTC coronariana, considera-se esse tipo de placa quando a ateuação é inferior a 30 UH (unidades hounsfield). 
  3. Napkin ring sign: seria a representação tomográfica do fibroateroma de capa fina, que somente pode ser visualizado in vivo pelo OCT, em função da sua resolução espacial. É caracterizado por uma placa com core central de baixa atenuação com borda externa de maior atenuação (não superior a 130 UH para não ser confundida com componente calcificado). Embora seja fortemente relacionada a uma placa vulnerável, apresenta baixa sensibilidade muito em função da resolução espacial limitada da AngioTC.
  4. Microcalcificações (spotty calcifications): são calcificações focais menores que 3mm e que ocupam menos de 90 graus da parede vascular. Questiona-se a real capacidade da AngioTC em reconhecer esse achado em função da sua resolução espacial.

Na figura acima há uma placa no terço proximal da artéria descendente anterior (DA) com baixa atenuação e remodelamento positivo, determinando inclusive uma estenose importante. Esses sã0 dois aspectos de grande relevância nos achados da angiotomografia coronariana.

Legal, mas qual o significado desses achados? O que o médico precisa saber quando houver essa descrição no laudo? Veremos isso em detalhes no próximo post, analisando uma subanálise do estudo ScotHeart.

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Sobre o autor

Alexandre Volney

Alexandre Volney

Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007)
Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009),
Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011)
Especialista em Ecocardiografia (SBC)

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