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Atividade física regular diminui risco de infarto em mulheres jovens?

Giordano Bruno
Escrito por Giordano Bruno

A atividade física é reconhecida como método eficaz na redução do risco cardiovascular em dezenas de estudos já realizados. O fato é que a maioria destes estudos incluíram predominantemente homens e com idade mais avançada, e mesmo naqueles estudos que incluíram mulheres jovens, o benefício não foi evidente principalmente pelo curto período de segmento em uma parcela de indivíduos com mais baixo risco (mulheres pré-menopausadas)

Pensando especificamente nesta população (mulheres jovens), e já prevendo que atividade física afetará positivamente na incidência de obesidade, diabetes, dislipidemia e hipertensão, foi realizado estudo com 97.930 enfermeiras de 25 a 42 anos, sem doença cardiovascular ou diabetes, seguidos por 20 anos (coorte prospectiva).

Este estudo demonstrou que atividade física recreativa, realizada em moderada ou alta intensidade, de maneira regular (duração mínima de 1 hora por semana), reduz a incidência de eventos coronarianos. O benefício foi proporcional à carga de exercício (intensidade e duração), não havendo entretanto diferença tão marcante quando comparamos intensidade moderada e alta (caminhada versus exercícios intenso), ou quando comparamos indivíduos que se exercitaram 2 ou mais horas por semana.

O volume total de horas de exercício semanal pareceu importar mais que a frequência de exercícios, ou seja, parece que realizar 2 horas totais de exercício por semana, em 2 dias ou 4 dias não modifica o impacto, apesar da suspeita de outro estudo clínico mostrando aumento do risco no exercício muito vigoroso em baixa freqüência (“atletas de final-de-semana” p. ex)

grafico

A subanálise considerando o IMC não demonstrou impacto diferente da atividade em indivíduos obesos quando comparados a não obesos.

Em resumo, podemos dizer:

Mulheres jovens, que praticam atividade física regular, de moderada ou alta intensidade, como caminhadas de 30 minutos 2 a 3 vezes por semana reduzem a longo prazo o risco de evento coronariano, mesmo aquelas sem obesidade ou outros fatores de risco (tabagismo, hipertensão, hipercolesterolemia ou história familiar).

Limitações deste estudo

  • Estudo observacional, não havendo intervenção, logo aumentando o risco de viés de confusão como hábitos mais saudáveis, dieta, controle dos outros fatores de risco, etc (pessoas que praticam mais atividade física tendem a manter outros hábitos de vida saudável que indivíduos que não praticam atividade física).
  • A População foi bem específica, de enfermeiras americanas, não sendo considerado o risco cardiovascular basal para avaliar o impacto do beneficio
  • A medição da atividade física foi feita através de questionário com todos vieses de memória e aferição que afetam este tipo de coleta de dados.
  • Efeito Hawthorne: Uma vez sabendo que estavam sendo analisados, os indivíduos podem ter ficado mais motivados e isso ter afetado o desfecho final, principalmente na população mais predisposta a aceitar a prática de exercícios.

Referência

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Sobre o autor

Giordano Bruno

Giordano Bruno

Médico Cardiologista e Ecocardiografista formado pela UFPE
Supervisor da residência em cardiologia do Hospital Agamenon Magalhães - SES/PE
Coordenador dos protocolos da cardiologia do Realcor / Real Hospital Português/PE

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