Arritmia ECG

Como Abordar os Pacientes com Extrassístoles Ventriculares Monomórficas?

Pedro Veronese
Escrito por Pedro Veronese

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Já escrevi sobre esse tema em alguns posts prévios. Para mais detalhes dê uma olhada aqui:

A abordagem das extrassístoles ventriculares (EEVV) monomórficas não é consensual na literatura médica e, recentemente, um novo artigo foi publicado sobre o tema por Gregory M. Marcus e cols. A estratégia proposta pelo autor é apresentada a seguir:

– Avalie a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) do paciente.

– Avalie a densidade das EEVV em um Holter de 24h.

– Avalie a presença de sintomas. Eles devem incomodar a tal ponto que, mesmo ciente de que o tratamento não é necessário para reduzir o risco de morte súbita, o paciente deseja a instituição de terapia.

– Avalie se há causas reversíveis para as EEVV que devam ser tratadas e/ou outras causas que justifiquem a redução na fração de ejeção que não as EEVV.

O fluxograma a seguir deve ser empregado após causas prontamente reversíveis de EEVV ou de disfunção ventricular tenham sido descartadas. Casos mais complexos devem ser avaliados por um arritmologista/eletrofisiologista.

 

Conclusão dos autores:

Pacientes com sintomas que incomodam, mesmo após serem tranquilizados sobre a benignidade do quadro, ou com disfunção ventricular esquerda, o tratamento medicamentoso ou ablação por cateter são alternativas razoáveis como primeira estratégia. Em geral, a ablação por cateter tem resultados superiores ao tratamento farmacológico. Em pacientes com coração estruturalmente normal, o tratamento objetiva a melhora na qualidade de vida, portanto a preferência do paciente entre anti-arrítmicos ou ablação deve ser levada em conta na abordagem inicial. Em pacientes assintomáticos, sem disfunção ventricular e com alta densidade de EEVV a melhor estratégia inicial não está totalmente clara. Geralmente a vigilância com exames anuais é suficiente.

Conclusão do Cardiopapers:

Quando avaliar um paciente com extrassístoles procure sempre se há algo por trás, que possa ser identificado e tratado. Descarte cardiopatia estrutural, se presente, foque no seu tratamento e não nas EEVV. Veja se de fato os sintomas incomodam o paciente mesmo após ser tranquilizado da benignidade do quadro. Institua vigilância para identificar e tratar possível taquicardiomiopatia. NÃO prescreva amiodarona sem necessidade!!

Referência:

  1. Circulation. 2020;141:1404–1418.

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Sobre o autor

Pedro Veronese

Pedro Veronese

Médico Especialista em Clínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Médico Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC.
Médico Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC.
Médico do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Doutor em Cardiologia pelo InCor - FMUSP.
Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba e Hospital Estadual Vila Alpina.
Médico Chefe de Plantão do Pronto Socorro Central da Santa Casa de São Paulo.
Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Professor da Faculdade de Medicina UNINOVE.

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