ECG Não categorizado

Curso básico de eletrocardiograma – – Áreas eletricamente inativas

Fernando Figuinha
Escrito por Fernando Figuinha

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Por último (na avaliação do QRS), vamos analisar a presença de áreas inativas. Para isso, devemos avaliar a presença de onda Q patológica em uma determinada topografia.

A onda Q patológica deve ter pelo menos 40ms de duração (1mm) e apresentar pelo menos 1/3 da amplitude do QRS, em 2 derivações vizinhas.

Didaticamente, podemos dividir o diagnóstico topográfico da seguinte forma:

– Parede anterior: V1 a V2 – septal; V1 a V4 – anterior; V1 a V6 – anterior extenso; V5, V6, DI e avL – lateral.

– Parede inferior: DII, DIII, avF

– Parede dorsal: V7 e V8

– Ventrículo direito: V3R, V4R (derivações direitas)

Segue um exemplo de um ECG com área inativa inferior:

Mas área eletricamente inativa então é sinônimo de área infartada? Não! Como o próprio nome diz a área eletricamente inativa é uma região do miocárdio que não reage à ativação elétrica normalmente como o miocárdio saudável costuma fazer.. De fato, a causa mais comum na prática clínica para isto é a ocorrência prévia de um infarto agudo do miocárdio. Em decorrência deste, surge uma região de fibrose no local que antes era miocárdio normal e esta fibrose é eletricamente inativa. Contudo, há outras causas para este processo. Um exemplo disso são as doenças de depósito (ex: amiloidose, hemocromatose, etc). Nestas patologias, há deposição de substâncias eletricamente inertes no local que antes era ocupado por miocárdio saudável, gerando assim a presença de uma área eletricamente inativa. Pelo ecg, não é possível dizer se determinada área eletricamente inativa é fruto de infarto prévio ou de amiloidose, por exemplo. O contexto geral do quadro clínico e dos exames complementares é que definirão isto.

No exemplo a seguir podemos ver um caso de pcte com amiloidose cardíaca e área eletricamente inativa anterosseptal. Pode-se questionar também a presença de AEI em parede inferior.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

4 comentários

  • Bom Dia Fernando!! Muito bom o curso de ECG. Parabéns. Só queria atentar que estão descritas “ondas P patológicas” ao invés de Q. Sem comprometer o contexto. Um abraço

  • Obrigada pela explicação.
    Meu exame de eletrocardiograma, deu:
    “Q” em parede inferior, já havia feito uma cintilografia, não deu nada negativo, meu cardiologista me liberou para fazer cirurgia, isso pode interferir na minha saúde durante
    ou pós cirurgia?
    Obrigada

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