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E você? Sabe o que fazer quando o Potássio do seu paciente está elevado?

Luís Sette
Escrito por Luís Sette

A hipercalemia é um distúrbio ameaçador da vida e esta cerca de 2-3 vezes mais presente em pacientes com Insuficiência cardíaca(IC), doença renal crônica(DRC), diabetes ou em uso de medicamentos inibidores do SRAA (iSRAA).

Com o aumento do número de pacientes com IC e DRC em uso de iSRAA e antagonistas dos receptores mineralocorticoide (ARM) a hipercalemia tem se tornado muito frequente na prática clínica. Essas drogas tem-se mostrado essenciais no manejo da IC, com mudança na sobrevida, sendo a hipercalemia limitante do uso desta medicações.

A hipercalemia pode ser dividida em: adquirida (ex.: diabetes, doença renal crônica, Addisson etc) ou relacionada a tratamento (ex.: uso de iSRAA, ARM, anti-inflamatórios, heparina etc).

A presença de hipercalemia esteve associado a elevação da mortalidade e maior risco de internamento em pacientes com IC que utilizaram ARM (espironolactona) quando comparados com Placebo, conforme avaliado no estudo RALES (Randomized Aldactone Evaluation Study). E este risco encontra-se mais elevado ainda quando os pacientes apresentam DRC concomitante de acordo com os resultados do estudo ADHERE (Acute Descompensated Heart failure National Registry) que revelou risco de hipercalemia de 20% neste grupo de pacientes

DICAS PRATICAS

Então, devemos seguir alguns passos para a avaliação e o manejo correto da hipercalemia:

  • Não utilizar medicamentos que elevem o potássio sérico (suplementos alimentares, muito comuns e que raramente são relatados pelos pacientes) e “SAL-LIGHT”- (KCL) muito prescrito para controle de HAS.
  • É preferível diminuir a dose do IECA/BRA e dos inibidores da aldosterona do que suspender um dos dois.
  • Caso haja hipercalemia ameaçadora da vida, suspender as medicações mas tentar reintroduzir em doses menores e com ajustes na alimentação- tabela prática ao final do artigo. (não abandonar a droga no primeiro episódio de hipercalemia!)
  • Avaliar a taxa de filtração glomerular e encaminhar para nefrologista se <30mL/min/1.73m2
  • Tentar manejar a hipercalemia com drogas diuréticas com efeito caliurético (especialmente a furosemida) em detrimento de outro antihipertensivo (clonidina, BCC), especialmente em pacientes com benefício comprovado do uso de IECA/BRA (IC, SCA, DRC proteinúrico e Diabéticos)
  • Para pacientes que mantem hipercalemia a despeito das medidas, o uso de resinas de troca cronicamente (SORCAL) não são recomendados pela baixa aceitação, custo e risco de necrose colônica .
  • O PATIROMER e o ZS-9 (Zircônio de sódio) são droga seguras e liberadas para comercialização em 2015 pelo FDA. Ainda não estão liberadas no Brasil. Atualmente, parecem ser a melhor opção para os casos refratários.

EVITAR ALIMENTOS COM ALTO TEOR DE POTÁSSIO

Abacate Açaí Água de coco Banana prata
Banana nanica Damasco Figo Fruta-do-conde
Goiaba Graviola Jaca Kiwi
Laranja pêra ou bahiana Mamão Maracujá Melão
Mexerica ou tangerina Nectarina Uva

Outros alimentos com alto teor de potássio:

  • Grãos: feijão, ervilha, grão de bico, soja. Frutas secas: coco, uva passa, ameixa seca, damasco
  • Oleaginosas: nozes, avelã, amendoim, amêndoa, castanhas, pinhão
  • Sal dietéticos ou light, Chocolate, Café solúvel

FONTE: Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN.org.br)

REFERÊNCIAS

  • Hyperkalemia in Heart Failure Journal of the American College of Cardiology, Volume 68, Issue 14, Pages 1575-1589 Chaudhry M.S. Sarwar, Lampros Papadimitriou, Bertram Pitt, Ileana Piña, Faiez Zannad, Stefan D. Anker, Mihai Gheorghiade, Javed Butler
  • The Effect of Spironolactone on Morbidity and Mortality in Patients with Severe Heart Failure Bertram Pitt, M.D., N Engl J Med 1999; 341:709-717 September 2, 1999 DOI: 10.1056/NEJM199909023411001
  • In-Hospital Mortality in Patients With Acute Decompensated Heart Failure Requiring Intravenous Vasoactive MedicationsAn Analysis From the Acute Decompensated Heart Failure National Registry (ADHERE) William T. Abraham, MD J Am Coll Cardiol. 2005;46(1):57 64. doi:10.1016/j.jacc.2005.03.051

 

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Sobre o autor

Luís Sette

Luís Sette

Formado em Medicina pela UPE
Residência em Clínica Médica UNIFESP
Residência em Nefrologia pela USP
Título de Especialista em Nefrologia pela Sociedade Brasileira de Nefrologia
Mestre em Ciências da Saúde pela UFPE
Professor da Disciplina de Nefrologia da UFPE

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