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Meu Paciente Recebeu um Choque do CDI!! E Agora?

Pedro Veronese
Escrito por Pedro Veronese

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Conforme já foi colocado em post anterior (https://cardiopapers.com.br/meu-paciente-apresentou-uma-taquicardia-ventricular-sustentada-e-agora-indico-cdi-ou-ablacao-por-cateter), a ablação por cateter pode ser tentada antes do implante do CDI para se evitar choques apropriados, ou o que ocorre mais comumente, tentada após o implante do dispositivo caso haja terapias apropriadas.

Após uma terapia apropriada do CDI, uma ablação por cateter pode ser indicada imediatamente, porém em muitas situações a introdução ou otimização de medicação antiarrítmica pode ser tentada previamente. Caso haja disfunção ventricular, a amiodarona é a opção correta no Brasil, além da otimização de betabloqueadores para insuficiência cardíaca como o carvedilol, metoprolol ou bisoprolol.

Após otimização dos fármacos antiarrítmicos, havendo uma nova terapia apropriada, a indicação de ablação por cateter é mandatória conforme fluxograma a seguir.

Veja o caso clínico a seguir:

1.    Mulher de 47 anos, com cardiomiopatia chagásica, FE 30%, CF II (NYHA) dá entrada no serviço de emergência devido a uma TVS sincopal. Ela é prontamente cardiovertida eletricamente e posteriormente recebe impregnação com amiodarona intravenosa. O caso da paciente é levado para discussão clínica sendo indicado CDI para prevenção secundária. Veja o meu post prévio sobre o tema https://cardiopapers.com.br/cdi-para-prevencao-secundaria-quando-indicar/. Recebe alta bem, em uso de carvedilol 12,5 mg 12/12h e amiodarona 200 mg 1 x dia. Duas semanas após, retorna ao serviço de emergência relatando choque no peito. A telemetria confirma choque apropriado devido a TVS. Opta-se por otimização dos eletrólitos (potássio > 4,0 mEq/L e magnésio > 2,0 mEq/L), das medicações (carvedilol 25 mg 12/12h e amiodarona 200 mg 8/8 h por 7 dias e posteriormente 200 mg 12/12h por 30 dias até o retorno ambulatorial). Uma semana após, retorna com nova terapia apropriada sendo optado por ablação por cateter. Note que a indicação de ablação por cateter já no primeiro episódio de taquicardia estaria correta, a depender da experiência e condições da equipe de eletrofisiologia. 

Bibliografia:

1.    Relampa 2015;28(2 Supl):S1-S25

2.    Arq Bras Cardiol 2007; 89(6): e210-e237

3.    Circulation. 2018;138:e272–e391

4.    European Heart Journal (2015) 36, 2793–2867

 

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Sobre o autor

Pedro Veronese

Pedro Veronese

Médico Especialista em Çlínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Médico Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC.
Médico Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC.
Médico do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Doutor em Cardiologia pelo InCor - FMUSP.
Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba e Hospital Estadual Vila Alpina.
Médico Chefe de Plantão do Pronto Socorro Central da Santa Casa de São Paulo.
Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Professor da Faculdade de Medicina UNINOVE.

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