Coronariopatia Emergências

Trabalhos clássicos – Oasis 5

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

Na revisão do novo guideline europeu de síndrome coronariana aguda sem supra de ST citamos que uma das novidades é o fato do fondaparinux ter sido selecionado como anticoagulante de escolha nesta circunstância, à frente da tradicional enoxaparina. O principal estudo que apoia esta decisão é o clássico Oasis 5 lançado na New England em 2006. Vamos ver o que mostrou o estudo.

Objetivo do estudo – comparar a eficácia e o perfil de segurança da enoxaparina e do fondaparinux em pacientes com IAM sem supra de ST ou com angina instável de alto risco.

Os pctes para serem incluídos tinham que preencher ao menos 2 dos seguintes critérios: idade >60a, elevação de CKMB ou troponina, alterações isquêmicas no ecg. Cr>3, passado de AVCH ou presença de outra situação que indicasse anticoagulação eram critérios de exclusão.

Os endpoints principais eram 2 – incidência de eventos isquêmicos (morte, IAM, isquemia refratária) e incidência de eventos hemorrágicos (sangramentos maiores). os pctes eram seguidos por 3 a 6 meses.

Os pctes eram então randomizados para receber fondaparinux 2,5 mg sc 1xd ou enoxaparina 1 mg/kg sc 12/12h (se ClCr<30 – 1xd apenas).

Resultados:

Resumindo – após 9 dias não houve diferença em relação aos eventos isquêmicos e os eventos hemorrágicos foram diminuídos pela metade com o fondaparinux. Na avaliação de 180 dias, os eventos isquêmicos continuaram sendo bem menos frequentes com o fondaparinux e houve uma tendência a diminuição de mortalidade com a medicação (como o intervalo de confiança engloba o número 1 podemos falar apenas em tendência).

Um dado interessante é que nos pctes submetidos a angioplastia foi notado aumento do risco de trombose do catéter nos pctes que usaram fondaparinux (0,9% de incidência x 0,4% da enoxaparina). Contudo, após avaliar com cuidado estes dados viu-se que a ocorrência deste fato com o fondaparinux era praticamente anulado caso fosse feito um bolus de heparina não-fracionada em associação. Isto fez com esta recomendação específica entrasse nos guidelines.

Interessante notar que no Brasil dificilmente vemos os serviços usando o fondaparinux.

Publicidade

Deixe um comentário

Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

6 comentários

  • Parabéns ao Blog! Além da evidência científica, o Fondaparinux é mais barato do que a Enoxaparina. Portanto está padronizado e na Rotina do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário de Santa Maria.

    • Jones, estava querendo saber esta informação do preço. Você saberia me informar o preço médio das 2 medicações? Obrigado pelos elogios.

      • Olá, Eduardo! Por incrível que pareça, o preço da seringa pronta para o uso de Fondaparinux 2,5 mg (nome comercial: Arixtra) está em torno de R$ 15,00. É bem mais barato que Enoxaparina genérica. Outra vantagem me parece ser a dose independente do peso. Com Enoxa, é difícil administrar a dose precisa.

        • Jones, realmente o preço parece ser este em boa parte dos cantos. Coloquei no google e achei 2 seringas de 2,5 mg por 35 reais – menos de 20 reais por dia de tratamento. Certamente bem mais barato que a enoxaparina. E realmente tem esta vantagem que você falou de ser dose única. Estou cansado de ver pctes com 80, 90 kg recebendo 60 mg de 12/12h de enoxaparina. Resta saber por que tão poucos serviços usam o fondaparinux aqui no Brasil. Lobby da indústria farmacêutica? Desconhecimento por parte dos médicos?

          • Uma dúvida que surgiu ao ler este estudo foi o fato do grupo que recebeu enoxaparina ter recebido dose extra de HNF caso o procedimento percutâneo fosse realizado após 6h da administração da mesma. No entanto sabemos que a meia vida da enoxaparina é 12h e que o “cruzamento” das heparinas citadas aumento o risco de sangramento. Logo, me questiono se o risco de sangramento no grupo enoxaparina com relação ao grupo fundaparinux ser secundário ao “cruzamento” da heparina, e não ao melhor perfil de segurança do fundaparinux. O que vocês acham?
            Parabéns pela qualidade do Blog!!!

  • Camila, boa observação. Realmente pelas referências mais atuais o ideal é, caso o pcte tenha usado enoxaparina e a última dose tenha sido feita há mais de 8h, fazer bolus de 0,3 mg/kg da própria enoxaparina iv. O fato de ter sido feito hnf para este grupo de pctes no estudo oasis pode, na minha opinião, ter afetado em alguma instância o aspecto do sangramento.

Deixe uma resposta

Seja parceiro do Cardiopapers. Conheça os pacotes de anuncios e divulgações em nosso MídiaKit.

Anunciar no site
%d blogueiros gostam disto: