Arritmia

AVC criptogênico – procure por FA

2 estudos publicados recentemente demonstraram uma incidência considerável de fibrilação atrial (FA) em pacientes com acidente vascular cerebral (AVC) criptogênico quando investigados com monitorização eletrocardiográfica prolongada.

Isso é importante porque pode mudar nossa conduta. Paciente com evento isquêmico cerebral prévio tem risco alto de apresentar novos eventos. Quando a origem desses eventos é cardiogênica (devido à FA), é indiscutível a superioridade da anticoagulação comparado com a anti-agregação plaquetária na prevenção de novo eventos.

O primeiro estudo foi o EMBRACE, que comparou a avaliação com monitor de eventos externo por 30 dias com holter de 24hs. A incidência de FA no primeiro grupo foi 16%, comparado com somente 3,2% no grupo Holter 24hs.

O segundo estudo foi o CRYSTAL-AF, que avaliou um monitor cardíaco implantável que permite avaliação do ritmo por anos. A taxa de detecção de FA foi de 8,9% em 6 meses (vs 1,4% do grupo controle), 12,4% em 12 meses (vs 2,0%) e 30% em 3 anos. Assim, a prescrição de anticoagulantes orais foi mais que o dobro em 6 meses e em 12 meses, e menos pacientes desse grupo apresentaram recorrência de acidente isquêmico transitório – AIT.

Esses estudos reforçam a importância de uma boa investigação para avaliar a presença de FA em pacientes que apresentaram AVC sem uma causa claramente definida, ideamente com monitores de eventos de longa duração (ex.: Looper).

Referências

  1. EMBRACE trial. N Engl J Med. 2014;370:2467-2477.
  2. CRYSTAL-AF trial. N Engl J Med. 2014;370:2478-2486.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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