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Depressão e doenças cardíacas

A depressão é muito prevalente em pacientes cardiopatas. 20 a 40% desses pacientes preenchem critérios para diagnóstico de depressão maior ou piora de sintomas depressivos.

E qual é a importância disso? Estudos mostram que pacientes deprimidos tem uma pior qualidade de vida, tem maior progressão de doença coronariana, maior recorrência de eventos cardíacos e 2 a 2,5 vezes maior mortalidade.

O que pode ligar a depressão à esse aumento de risco? Primeiro, a aderência às medidas orientadas pelos médicos e mesmo às medicações pode ser menor nesse grupo. Além disso, alguns efeitos fisiológicos adversos da depressão podem estar vinculados à elevação de risco, como inflamação, disfunção endotelial, hiperatividade plaquetária e anormalidades no sistema nervoso autonômico.

O que podemos fazer para mudar isso? A primeira coisa que devemos fazer é pensar no diagnóstico. Talvez gastar alguns segundos da consulta para fazer um screening básico com 2 questões: “Nas últimas semanas, você tem se sentido para baixo, deprimido, sem esperança?” e “ Nas últimas semanas, você tem sentido pouco interesse ou prazer nas coisas?”. Seriam 2 perguntas simples para avaliar os 2 critérios maiores para o diagnóstico de depressão.

Quanto ao tratamento, as intervenções psicoterápicas e farmacológicas parecem ser seguras em pacientes cardiopatas. Os antidepressivos tricíclicos apresentam maior taxa de eventos cardíacos adversos (hipotensão ortostática, alterações de condução e arritmias) quanto comparados com os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS).

A maioria dos estudos randomizados duplo-cego são em pacientes com doença arterial coronariana, em geral pós-IAM. O uso dos ISRS fluoxetina, sertralina (estudo SADHART) e citalopram (estudo CREATE) foram seguros nesse cenário, assim como o uso de mirtazapina (antagonista do receptor 5HT-2 e alfa-2). Já em pacientes com insuficiência cardíaca, as evidências são mais fracas. O estudo SADHART-CHF mostrou segurança do uso de sertralina nesses pacientes, mas sem benefício claro em sintomas depressivos nesse estudo.

Outra questão é: se melhorarmos o quadro depressivo, podemos melhorar desfechos cardiovasculares? Todos esses estudos não mostraram melhora significativa de desfechos CV. Somente um estudo populacional mostrou menor mortalidade CV com uso de antidepressivos. Ainda não temos uma resposta definitiva para essa pergunta.

Referência: Christopher MC, Hujjman JC. Depression and Cardiac Disease. Cardiology in Review 2011;19:130-142.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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