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Diuréticos para hipertensão – o melhor para prevenir insuficiência cardíaca?

Foi publicado recentemente um estudo que questionou o uso do diurético tiazídico hidroclorotiazida como droga de primeira linha no tratamento da hipertensão (ver comentários – cardiopapers).

Uma nova metanálise publicada no Archives of Internal Medicine (Arch Intern Med) avaliou o papel de diversas classes de antihipertensivos na redução do risco de desenvolver insuficiência cardíaca (IC), em pacientes com diagnóstico de hipertensão ou pacientes de alto risco cardiovascular (maioria hipertensos).

Os que apresentaram melhores resultados comparados com placebo foram os diuréticos (OR 0,59 – CrI 0,47-0,73), os inibidores de ECA (OR 0,71 – CrI 0,59-0,85) e os bloqueadores de receptor de angiotensina (BRA – OR 0,76 – CrI 0,62-0,90).

Quando comparados diuréticos com outras classes, eles foram discretamente melhores que IECA (OR 0,83 – CrI 0,69-0,99) e que BRA (OR 0,78 – CrI 0,63-0,97). Quando comparadas outras classes de antihipertensivos, os diuréticos, IECA e BRA foram melhores como primeira linha para prevenir IC do que bloqueadores de canal de cálcio, alfa-bloqueadores e beta-bloqueadores.

Os autores concluem então que o diurético é a classe mais efetiva em prevenir IC, seguido pelos inibidores do sistema renina-angiotensina, e que deveriam ser considerados como primeira-linha para pacientes em risco de desenvolver IC, como idosos, negros, diabéticos e pacientes de alto risco cardiovascular (lembrar que nessa metanálise não foram avaliados outros desfechos cardiovasculares, como mortalidade, incidência de AVC ou IAM).

E então, devemos ou não usar diuréticos tiazídicos como primeira linha? Na verdade, o estudo apresentado previamente mostrou que a hidroclorotiazida foi inferior que outros anti-hipertensivos (inclusive seus companheiros de classe – clortalidona e indapamida) em atingir o controle adequado da pressão arterial. O estudo apresentado aqui mostra que eles (a classe medicamentosa – diuréticos tiazídicos) são boas drogas para prevenir IC.

Acho então que uma alternativa viável, levando em consideração os resultados desses estudos, seria iniciar ou clortalidona ou indapamida como anti-hipertensivo para aqueles que tem maior risco de desenvolver IC, lembrando que tanto IECA como BRA tem efeitos semelhantes, podendo ser uma opção como droga de primeira linha.

Referência: Sciarretta S, Palano F, Tocci G, et al. Antihypertensive treatment and development of heart failure in hypertension. A Bayesian network meta-analysis of studies in patients with hypertension and high cardiovascular risk. Arch Intern Med 2011; 171:384-394.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

3 comentários

  • Excelente o artigo! Foram 26 trials que entraram nesse estudo, com 220.000 pacientes. Não custa lembrar que entre eles está o clássico ALLHAT, contribuindo com 33.000 pacientes (15.000 usando diurético) e que usou a clortalidona como diurético.

    Parabéns a todos pela iniciativa do blog, muito legal mesmo! Abs

    Lucas Cronemberger (“ex-R1 de clínica da maioria dos autores”! rs)

  • Neto, nessa metanálise eles avaliaram o grupo diuréticos, incluindo não só hidroclorotiazida, mas também outros tiazídicos (clortalidona, indapamida). Eles não descreveram, nesse trabalho, as doses utilizadas.
    Só queria lembrar que, por tratar-se de uma metanálise, eles colocaram juntos vários estudos com características bem diferentes. Por serem grupos heterogeneos analisados juntos, eu sempre questiono a real validade de estudos desse tipo. Mas temos que levar em conta, já que é a melhor evidência existente para esse assunto até o momento.

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