Arritmia

Dormir bem pode reduzir arritmias cardíacas?

Escrito por Pedro Veronese

Esta publicação também está disponível em: Português

Um estudo populacional publicado recentemente, JACC. 2021 Sep, 78 (12) 1197-1207, avaliou de forma prospectiva mais de 400 mil indivíduos de um banco de dados do Reino Unido e concluiu que, uma boa noite de sono está ligada a menor risco de arritmias cardíacas.

Um padrão saudável de sono foi definido por meio da análise das 5 variáveis a seguir:

  1. Cronotipo (padrão de vida mais matinal ou noturno);
  2. Duração do sono;
  3. Insônia;
  4. Ronco;
  5. Sonolência diurna.

A pessoa recebia 1 ponto para cada variável, se a sua resposta fosse considerada saudável, e zero ponto caso contrário. Desta forma, indivíduos que somaram 4 a 5 pontos foram definidos como tendo um padrão saudável de sono; 2 a 3 pontos um padrão intermediário e 0 a 1 ponto um padrão ruim de sono.

Indivíduos que tinham um padrão de sono saudável tiveram um menor risco de desenvolver fibrilação atrial (FA) e bradiarritmias. Houve redução no risco relativo de FA de 29% (HR 0,71; 95% IC: 0,64 – 0,80) e de 35% em relação a bradiarritmias (HR 0,65; 95% IC: 0,54 – 0,77). Esta associação permaneceu verdadeira mesmo após ajustes demográficos, de estilo de vida e de fatores de risco genéticos.

Os autores destacaram como ponto forte deste trabalho um n bastante robusto, que só é possível pela análise de bancos de dados. Reforçam, entretanto, que estudos com este desenho são apenas geradores de hipóteses. Mostram associações entre fatores não sendo possível definir, com certeza, relação causal. Desta forma, não são evidências definitivas sobre um tema. Será que indivíduos mais estressados dormem pior e o estresse é que gera arritmias cardíacas? Ou seja, o padrão de sono não é causa e sim consequência de uma vida mais estressante?

Conclusão Cardiopapers:

Já discutimos que os estudos de análise de banco de dados são interessantes por conseguirem trabalhar com um número muito grande de pessoas, sem um custo tão elevado. Porém, são apenas geradores de hipóteses para estudos randomizados e prospectivos. Para que se comprove uma relação causal entre o padrão de sono e arritmias cardíacas seria importante demonstrar que com a melhora do padrão de sono houve redução das arritmias.

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Sobre o autor

Pedro Veronese

Médico Especialista em Clínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Médico Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC.
Médico Especialista em Arritmia Clínica e Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC.
Médico do Centro de Arritmias Cardíacas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Doutor em Cardiologia pelo InCor - FMUSP.
Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Estadual de Sapopemba e Hospital Estadual Vila Alpina.
Médico Chefe de Plantão do Pronto Socorro Central da Santa Casa de São Paulo.
Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Professor da Faculdade de Medicina UNINOVE.

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