Arritmia Métodos complementares

Angiotomografia Cardíaca é um bom método para detectar trombo em átrio esquerdo?

Alexandre Volney
Escrito por Alexandre Volney

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A pesquisa de trombos intracavitários, especialmente no átrio esquerdo e apêndice atrial tem sido tradicionalmente realizada com a utilização da ecocardiografia transesofágica (ECOTE). Nos últimos anos, a Angiotomografia cardíaca (AngioTC) tem demonstrado acurácia diagnóstica semelhante ao do ECOTE. A introdução de uma fase tardia de equilíbrio do meio de contraste nas cavidades cardíacas tem proporcionado um sensibilidade e especificidade de 100 e 99%, respectivamente para detecção de trombo intracavitário e de 100% e 100% para a identificação de veias pulmonares (tendo como referência / padrão ouro o ECOTE).

Ambas modalidades apresentam capacidades únicas e não sobrepostas na avaliação cardíaca estrutural, o que permite que sejam utilizadas em cenários clínicos nos quais possam fornecer o maior numero de informações de maneira precisa e objetiva.

Exemplos práticos:

  1. Cardioversão – O objetivo primordial é excluir trombo no AE e AAE; se além disso deseja-se avaliar marcadores prognósticos (ex. velocidade de esvaziamento do AAE, doença valvar associada, função disto-diastólica) a melhor opção será o ECOTE; Por outro lado, se o objetivo secundário do estudo é avaliar doença arterial coronária (DAC) então a AngioTC é a melhor opção. Quando se deseja apenas avaliar a presença de trombo as metodologias são equivalentes, devendo-se discutir com o paciente a melhor opção considerando invasividade, uso de radiação/contraste iodado, disponibilidade, expertise etc..
  2. Avaliação da drenagem pulmonar / veias pulmonares – Aqui o objetivo é determinar a anatomia da drenagem pulmonar com estudo do número e diâmetros das veias pulmonares, além da exclusão de trombos no AE/AAE. Nesse contexto a AngioTC é a metodologia recomendada por apresentar melhor desempenho em relação ao ECOTE.
  3. Avaliação de Acidente vascular encefálico (AVE). Neste cenário procura-se identificar todas as possibilidades de fontes tromboembólicas, sendo importante não só a detecção de trombos como identificar patologias predisponentes subjacentes (doença valvar, FOP/CIA, disfunção ventricular / contraste espontâneo etc..). Dessa forma, o ECOTE trará mais informações que a AngioTC sendo, portanto, a primeira escolha.

AngioTC demonstrando átrio esquerdo (AE) e apêndice atrial esquerdo (AAE) sem trombo.

AngioTC com trombo arredondado (imagem escura) no interior do AAE.

Resumindo:

  • As metodologias apresentam acurácia semelhante para detecção de trombos intracavitários, incluindo o AE / AAE. Suas capacidades adicionais devem ser consideradas dentro do cenário clínico para agregar o maior número de informação no processo diagnóstico.
  • Além disso, durante a escolha do método deve-se considerar potenciais limitadores como necessidade de sedação, doenças esofágicas pregressas/ sangramento gastroesofágico; expertise do operador; uso de radiação / contraste iodado; disponibilidade local.

Leiam mais em:  2018 Apr;11(4):616-627. doi: 10.1016/j.jcmg.2017.12.019.

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Sobre o autor

Alexandre Volney

Alexandre Volney

Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP, 2007)
Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP, 2009),
Especialização em Tomografia e Ressonância Cardiovascular (InCor-FMUSP, 2009-2011)
Especialista em Ecocardiografia (SBC)

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