Terapia Intensiva Cardiológica

Hipotermia Terapêutica

A hipotermia terapêutica deve ser realizada até 6hs após a parada cardiorrespiratória, para pacientes que não recuperam nível de consciência em até 1 hora do evento (indicação Ib se FV/TV e IIb se AESP ou assistolia). Manter hipotérmico por 12 a 24h. O objetivo é diminuir encefalopatia hipóxica. Reduz o cosumo cerebral de oxigênio, suprime reações químicas associadas com lesões de reperfusão, reduz reações de radicais livres e liberação de cálcio intracelular, e modula apoptose e resposta anti-inflamatória.

Contraindicações: gravidez (absoluta). Instabilidade hemodinâmica refratária (com necessidade de aumento contínuo de drogas vasoativas) e coagulopatia (relativa). Trombólise não é contraindicação.

Complicações: arritmias, infecção, coagulopatia, status epiléptico, hipertermia rebote.

Como fazer:

INDUÇÃO

– Diminuir T < 34°C em até 6hs. Idealmente em 1 a 2hs da ressucitação.

– Colocar termômetro esofágico (opções: catéter de artéria pulmonar, timpânico ou vesical).

– Avaliar padrão neurológico.

– Dar SF 0,9% ou Ringer Lactato a 4°C, 30 a 50ml/kg, até no máximo 3L, idealmente em 20 minutos. Parar se SatO2 < 90%. OU Se hipervolemia, considerar infundir solução via sonda nasogástrica – inicialmente, aspirar o conteúdo via SNE. Instilar rapidamente 250-500ml de SF0,9% ou água filtrada a 4°C. Após 10min (500ml bolus), aspirar o conteúdo gástrico. Repetir até 30ml/kg ou 3L.

– Associar manta térmica, colete, perneiras. Opção, se outros métodos indisponíveis: 3 bolsas de gelo, nas axilas e região inguinal (deixa 1 livre). troca a cada 10min, para evitar lesão cutânea. Removê-los quando T de 33°C.

– Documentar T a cada 15 minutos. Após atingir 34°C, a cada hora.

– Sedação: titular para sedação profunda (RASS -4). Ex.: Fentanil 1-2mcg/kg EV ataque + manutenção 1-4mcg/kg/h. Midazolan 2-6mg EV ataque + manutenção 1-2mg/h. Opção: Propofol 5mcg/kg/min EV.

– Passar SVD – diurese abundante. Cuidado com DHE (K+). Manter PAS > 90mmHg.

MANUTENÇÃO

– Manter T 32-34°C por 12 a 24hs.

– Exames: eletrólitos (K, Ca, Mg) a cada 6hs. Colher também CPK, CKMB, troponina, BNP, hemograma, coagulo. Controle de dextro. Hemocultura na 12ª hora.

– Reavaliação do status neurológico a cada 2hs.

– Se tremores: sulfato de magnésio (4g EV), benzodiazepínicos. Bloqueio neuromuscular só se refratário (risco de paralisia do doente crítico) – ex.: pancurônio 4mg bolus (1 amp) EV seguido de 0,1 a 0,2mg/kg a cada 1 a 2hs..

REAQUECIMENTO

– Parar reposição de K+ 1h antes do reaquecimento.  Avaliar necessidade de reposição de fluidos. Manter sedado pelo menos até 36°C.

– Aumentar a T 0,5°C/hora até atingir 36,5°C. Documentar T a cada 30 minutos.

– Depois, na recuperação, pode ter febre por alteração do set point (centro termorregulador hipotalâmico). Administrar antitérmicos e manta térmica para T < 38°C.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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