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O que fazer com os antidiabéticos orais quando o paciente começa a perder função renal?

– Referência: Approach to the Patient with Type 2 Diabetes and Progressive Kidney Disease ER Seaquist and HN Ibraim J Clin Endocrinol Metab, july 2010

Essa é uma questão que sempre ocorre aos médicos que prestam assistência aos pacientes diabéticos tipo 2, uma vez que o DM é a principal causa de IRC nos EUA e provavelmente no Brasil se fosse realizado um inquérito epidemiológico adequado. Manter um bom controle glicêmico é importante nesses pacientes e já foi demonstrado redução da velocidade de perda de função renal com um bom controle. Daí a importância de saber como manejar as drogas hipoglicemiantes do paciente já que o arsenal terapêutico fica mais escasso à medida que o clearance de creatinina é reduzido.

– Cl Cr >60: todas as drogas podem ser mantidas

– Cl Cr 30-59:

  • suspender metformina.
  •  Suspender sulfoniluréias com exceção da glipizida que por ter metabolismo hepático pode ser utilizada até em estágios de IRC mais avançados.
  • Suspender bloqueadores da alfa- glucosidase (acarbose).
  • Suspender análogos do GLP-1.
  • Reduzir em 50% as doses de bloqueadores de DPP-4 (gliptinas: sitagliptina, vildagliptina).
  • A pioglitazona como tem metabolismo hepático pode ser mantida, no entanto pacientes com esse Clearance podem ter IC e retenção hídrica que são agravadas pela droga. (lembrar que a rosiglitazona saiu do mercado)

– Cl Cr <30: a maioria dos pacientes vai precisar de insulina embora ainda possam usar glipizida, gliptinas em doses corrigidas (25% da dose habitual) e pioglitazona como já comentado.

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Sobre o autor

Patricia Gadelha

5 comentários

  • Pat…
    Revisão ótima e bem prática para a grande polêmica do controle glicêmico da doença renal crônica.
    Gostaria de aproveitar para esclarecer uma dúvida: quando suspendemos a medicação do paciente que dose inicial de insulina devemos começar e qual o horário preferencial para aplicação?
    Larissa

  • Ao suspender definitivamente todos os antidiabéticos orais devido piora da função renal o mais prudente é insulinizar pleno o paciente com esquema basal-bolus, ou seja, fazer tanto insulina NPH basal como ultra rapida às refeições. Assim, como esse paciente renal crônico já teve as complicações mais temidas da doença, seu alvo glicêmico já é menos rigoroso e pode-se começar a insulinização com doses menores como: 0,4U/Kg/dia de dose total, sendo metade insulina NPH ou glargina e metade ultra rapida. No HC FMUSP dividimos a NPH em 3 tomadas diárias. Assim, paciente de 70kg–> dose 28U/dia sendo 14 NPH (5 cedo, 5 antes do almoço e 4 ao deitar por exemplo) e 14 ultra rapida ou regular antes das refeições (divididas em 3). Importante lembrar que o paciente pode misturar a regular ou ultra rapida com NPH só levando uma picada. Até aí parece difícil, mas é bem fácil na verdade, só complica quando começa diálise que muitas vezes precisa de prescrição de dia de diálise e dia sem diálise, sem falar quando é diálise peritonial que é feita com solução hipertônica de glicose, aí sim fica bem díficil..

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