Miscelânia

Através de que mecanismo a empaglifozina diminui risco cardiovascular?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

Já falamos bastante da empaglifozina aqui neste post. Resumindo, em pacientes diabéticos em prevenção secundária, a medicação mostrou reduzir o risco cardiovascular quando comparada com a terapêutica usual isolada. Mas, através de mecanismo a droga consegue fazer isto? Na verdade, não se sabe ao certo. As hipóteses são as seguintes:

  1. A medicação diminui a reabsorção de glicose no túbulo proximal do rim, o que faz com que a excreção não só de glicose como também de sódio na urina aumente. No EMPA-REG foi visto que pctes que usaram a medicação tinham menores níveis de PA que o grupo controle. É possível que parte do efeito benéfico da empaglifozina seja secundário ao melhor controle pressórico.
  2. Este mesmo efeito de natriurese foi provavelmente responsável pelo achado dos pacientes do grupo tratamento do EMPA-REG terem apresentado menor peso durante o seguimento. Como qualquer medicação que aumente a natriurese, isto promove redução da retenção de líquidos no corpo. No trial foi observado redução das internações por insuficiência cardíaca, apesar deste achado não ser 100% confiável por questões de desenho de estudo. O que os pesquisadores acham é que esse efeito diurético pode realmente diminuir congestão pulmonar em pacientes que já possuem IC em um estágio subclínico, evitando assim internações. Descompensações de IC podem ser graves, como sabemos, inclusive podendo levar à morte.
  3. A medicação também poderia diminuir o risco de surgimento de IC uma vez que os seus efeitos de reduzir pré-carga (pela depleção de volume) e pós-carga (pela redução de pressão sistólica) diminuiriam a sobrecarga hemodinâmica sobre o coração. Já foi mostrado que a medicação reduz massa de VE e melhora parâmetros de função diastólica.
  4. Essa redução na sobrecarga hemodinâmica sobre os ventrículos e os átrios também poderia reduzir o risco de arritmias.
  5. Observou-se também no EMPA-REG diminuição de desfechos renais (observou-se redução de microalbuminúria e de progressão da disfunção renal). Sabe-se que microalbuminúria é marcador de risco cardiovascular. A melhora deste índice pode estar indiretamente envolvido com a redução de desfechos?
  6. Por fim, pctes que usaram a empaglifozina terminaram usando menos medicações hipoglicemiantes como insulina e sulfonilureias. Isto pode ter evitado episódios potencialmente graves de hipoglicemia.

Referência: Sattar N et al. Novel Diabetes Drugs and the Cardiovascular Specialist. J Am Coll Cardiol 2017.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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