Insuficiência Cardíaca

Conhece esse escore para diagnóstico de IC com fração de ejeção preservada?

Mônica Ávila
Escrito por Mônica Ávila

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O diagnóstico causal da dispneia pode ser desafiador principalmente naqueles pacientes sem sinais clássicos de hipervolemia. Muitas vezes, nesses pacientes, o diagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) acaba sendo descartado postergando o início do tratamento. O padrão ouro para o diagnóstico de ICFEp é o cateterismo direito, com medidas das pressões de enchimento, porém é um exame invasivo que possui complicações. Na tentativa de melhorar o diagnóstico da ICFEp em pacientes com dispneia sem sinais de descompensação foi publicado um artigo que criou um escore de diagnóstico para ICFEp. Para isso, foi realizado um estudo retrospectivo que avaliou pacientes com dispneia submetidos a um teste de esforço invasivo. Duzentos e sessenta e sete (267) pacientes com ICFEp foram identificados através da pressão capilar pulmonar (PCP) > 15 mmHg no repouso ou PCP > 25 mmHg no esforço.

Esses pacientes com ICFEp eram mais idosos, possuíam maior incidência de hipertensão arterial, intolerância a glicose, índice de massa corpórea, fibrilação atrial, elevação do NT-proBNP e disfunção renal quando comparados com os pacientes com dispneia sem ICFEp (147). Além disso, os pacientes com ICFEp possuíam mais implantes de marca-passo, prolongamentos dos complexo QRS, intervalo QT e PR e maior cardiomegalia na radiografia de tórax.

Ao ecocardiograma dos pacientes com ICFEp revelaram mais disfunção diastólica e apesar da FEVE entre as duas populações estarem semelhantes, os parâmetros do strain global longitudinal do grupo com ICFEp foram menores. Além de maior evidência de hipertensão pulmonar e disfunção ou dilatação do ventrículo direito no grupo ICFEp.

Após as análises univariadas e multivariadas o escore foi composto por 6 variáveis não invasivas que se correlacionam com o diagnóstico da ICFEp:

A probabilidade do diagnóstico de ICFEp aumenta 2 vezes a cada 1 ponto do escore. O escore foi validado em uma população de 100 pacientes consecutivos com características semelhantes ao do estudo. Um contraponto a ser levantado é a falha do Nt-proBNP em detectar a ICFEp sendo que esse exame é um marcador diagnóstico e prognóstico na IC. No estudo foi explicado que 24% dos valores de NT-proBNP estavam faltando podendo contribuir para esse achado.

Em conclusão, a ICFEp é uma condição muitas vezes negligenciada em pacientes com dispneia sem sinais de congestão. Esse estudo é retrospectivo e por isso apresenta algumas limitações, entretanto criou e validou um escore com variáveis clínicas e ecocardiográficas que identifica pacientes com ICFEp e que pode ser facilmente utilizado no dia a dia da prática clínica.



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