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Insuficiência cardíaca + aumento de troponina: é infarto ou não?

Eduardo Lapa
Escrito por Eduardo Lapa

Já falamos sobre a distinção entre infarto do miocárdio e injúria miocárdica neste post. Resumidamente, injúria miocárdica ocorre quando há morte de miócitos. Se esta morte for secundária à isquemia miocárdica, definimos a injúria como um subgrupo denominado infarto. OK. Mas e aquele bom e velho cenário de um paciente com insuficiência cardíaca que chega à emergência com piora da dispneia e quando dosam a troponina ele vem aumentada? Ele infartou e foi isso que descompensou a IC ou a troponina aumentada é apenas consequência desta IC descompensada? Mando o paciente para o cate ou apenas trato a IC?

Esse cenário muitas vezes não é simples de diferenciar. Uma dica é seguir o fluxograma da definição universal de infarto.

Peguei paciente com IC descompensada e aumento de troponina? Primeira coisa é olhar o ECG. O ECG está com alterações agudas bastante sugestivas de isquemia comparado a um exame prévio? Isso fala bastante a favor de IAM. Mas normalmente não é o que acontece. Geralmente o ECG mantém o mesmo padrão ou apresenta mudanças sutis. Nesse caso, o próximo passo é comparar dosagens diferentes de troponina. Se houver variação pequena entre as dosagens (<20%), isso sugere que o aumento da tropo é crônico e provavelmente secundário à IC. Já se houver diferença acima de 20% entre as dosagens, um processo agudo é mais provável. Já posso dizer que o pcte teve IAM então? Não! Ainda pode ser apenas injúria miocárdica aguda. Como diferenciar então? Lembrar do nosso mnemônico SITE

Se o paciente tiver sintomas típicos de angina, ECG com alterações isquêmicas claras ou for feito exame não invasivo que sugira perda nova de tecido miocárdico (ex: eco com alteração segmentar nova), provavelmente estamos frente a um IAM. Nesse cenário, a rotina é encaminhar o paciente para o cate. Se houver instabilidade de placa no exame, diagnostica-se IAM tipo 1. Se não, o diagnóstico mais provável é IAM tipo 2.

DICA:
todo o raciocínio que falamos aqui para pacientes com IC também é aplicável a pacientes com doença renal crônica.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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