Arritmia

Revisão clínica – dabigatran – parte 1

– Existem 3 grupos de anticoagulantes orais:

1- Antagonistas da vitamina K – exemplo – varfarina

2- Inibidores diretos da trombina – exemplo – dabigatran

3- Inibidores do fator Xa – exemplos – rivaroxaban e apixaban

– O dabigatran então é um inibidor direto da trombina.

– A medicação surgiu como alternativa a varfarina. Só para se ter uma idéia nos Estados Unidos em 2004 foram feitas 30 milhões de receitas ambulatoriais de varfarina. Ou seja, o mercado para uma nova medicação é gigantesco.

– Os problemas da varfarina são bastante conhecidos – faixa terapêutica estreita (o inr tem que ser mantido entre 2 e 3 na grande maioria das circunstâncias), necessidade de monitorização laboratorial frequente, interação com uma infinidade de drogas e alimentos. Mesmo em grandes trials, onde os pctes são monitorizados de perto, dificilmente se chega a mais do que 60% das dosagens de inr na faixa terapêutica entre os pctes submetidos à terapia com varfarina. 

– O dabigatran é rapidamente absorvido no TGI. Em no máximo 3 horas após a ingestão a medicação já atingiu o pico de ação. O tempo de meia-vida fica entre 12 e 14 hrs. Isto gera vantagens e desvantagens. Por um lado tem-se o benefício de ser uma medicação rapidamente eliminada do organismo, o que é interessante nos casos em que houver sangramento. Contudo, a meia-vida relativamente curta gera a necessidade de 2 tomadas diárias, o que pode ser um fator limitante em pctes pouco aderentes. 80% da medicação é eliminada por via renal – ou seja – a dose deve ser corrigida na disfunção renal.

–  A medicação não é metabolizada pelo conhecido citocromo P450 – o que limita em muito a sua interação com outras drogas. Isto é uma enorme vantagem em relação a varfarina. Esta interage com praticamente tudo, desde antibióticos a antiarrítmicos. Uma medicação que diminui a atividade da varfarina e também do dabigatran, contudo, é a rifampicina. O mecanismo é diferente. No caso da varfarina a atividade é diminuída pelo aumento da atividade do P450. No caso do dabigatran o problema ocorre no intestino – a rifampicina diminui sua absorção. Assim, evitar a combinação dabigatran + rifampicina. Qual o mecanismo que a rifampicina faz isto? Ela ativa a glicoproteína-P a qual diminui a absorçao do dabigatran. Mecanismo contrário é feito pela amiodarona – esta aumenta a absorção do dabigatran. Assim, caso vá se usar dabigatran + amiodarona – deve se diminuir a dose do anticoagulante.

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Sobre o autor

Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Editor-chefe do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela SBC

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