Insuficiência Cardíaca

SOLOIST e SCORED: vale a pena sotagliflozina em IC FEp?

Escrito por Fernando Figuinha

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SOLOIST e SCORED – análise conjunta dos dados!

Vários estudos tem demonstrado os benefícios dos inibidores de SGLT2 em pacientes com IC, com e sem DM. No cenário da IC com FE reduzida, tivemos o estudo DAPA-HF mostrando benefícios inclusive em mortalidade, e o estudo EMPEROR-Reduced mostrando benefícios no desfecho primário.

Em relação à Sotagliflozina, um inibidor de SGLT2 e SGLT1, tivemos em 2020 o estudo SOLOIST WHF, com 1.222 pacientes com DM tipo 2 após uma internação recente por IC descompensada, e o estudo SCORED, com 10.584 pacientes com DM tipo 2 com HbA1c >= 7% e doença renal crônica (ClCr entre 25 e 60ml/min), avaliando o desfecho de morte cardiovascular, hospitalização por IC ou visita urgente por IC.

O estudo SOLOIST mostrou uma redução do desfecho composto por 3 itens de 33% (p 0,0009), enquanto o estudo SCORED mostrou uma redução de 26% (p 0,0004).

Foi publicada agora no congresso americando de cardiologia de 2021 uma análise conjunta dos estudos SOLOIST VHF e SCORED.

Quais foram os resultados?

  • Totalizando 11.784 pacientes, vimos uma redução de 28% do risco de morte cardiovascular, hospitalização por IC ou visita urgente por IC (com p 0,000002).
  • Quando selecionados pacientes com IC FEr (FE < 40%) – 1.758 pacientes – tivemos uma redução de 22% (p 0,02).
  • Para IC FEi  (FE 40-50%), com 456 pacientes, uma redução de 39% (p 0,02).
  • E para pacientes com IC FEp (FE >= 50%), com 739 pacientes, uma redução de 37% no desfecho primário (p 0,009).
  • Entre os pacientes sem história de IC – 6.738 pacientes, houve também uma redução de 27% (p 0,04).

Analisando todos os dados em conjunto, por intenção de tratar, tivemos uma redução de 35% significativa no risco de hospitalização por IC ou visita urgente por IC, sem diferença significativa em morte cardiovascular quando avaliada isoladamente. Quando analisado pacientes em tratamento, aí sim houve uma redução significativa de mortalidade cardiovascular de 27% (p 0,55-0,98).

Os trabalhos foram interrompidos precocemente por causa da pandemia, mas mesmo assim tivemos reduções robustas no endpoint primário.

Esse seria o primeiro trabalho a sugerir um benefício em mortalidade de alguma droga no cenário da IC com fração de ejeção preservada. Mas com essa evidência apresentada, ainda não podemos afirmar de forma inquestionável esse efeito! Precisamos esperar os resultados dos trabalhos EMPEROR-Preserved, com a empagliflozina, e DELIVER, com a dapagliflozina, para ver se finalmente teremos uma droga com efeito em mortalidade nesse cenário.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

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