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Profilaxia de TVP/TEP no pcte submetido a cirurgia cardíaca – como fazer?

Os pctes submetidos à cirurgia cardíaca são considerados de forma geral como de risco ao menos moderado de eventos tromboembólicos durante o período perioperatório. Contudo, ao mesmo tempo também são considerados como de alto risco para sangramento secundário ao uso de medidas farmacológicas para previnir TVP/TEP. Neste contexto, como manejar estes pctes? O consenso do ACCP lançado no ano passado fala extensamente sobre as estratégias de profilaxia de TEV (tromboembolismo venoso) em pctes cirúrgicos. Sobre a cirurgia cardíaca, as recomendações são as seguintes:
1- Pctes que evoluem de forma não complicada no pós-operatório – usar métodos mecânicos para profilaxia de TEV. O mais conhecido é a compressão pneumática intermitente

2- Pctes que complicam por algum motivo no pós-operatório e assim ficam internados por período mais prolongado – desde que não possua contra-indicações ao uso de profilaxia medicamentosa – associar HNF ou HBPM à profilaxia mecânica.

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Perioperatório de cirurgia não cardíaca – de volta ao zero?

As principais funções do cardiologista durante a avaliação perioperatória de cirurgia não cardíaca são:

1- estratificar o risco do paciente vir a ter complicações cardiovasculares devido à cirurgia

2- indicar medidas para diminuir ao máximo este risco.

A forma mais usada para se estratificar o risco perioperatório destes pctes é através do uso de escores de risco. Os 2 mais usados são o do ACP e de Lee. A diretriz brasileira também sugere o uso do EMAPO, escore desenvolvido no Brasil. Contudo, todos os escores têm suas limitações. Quando avaliamos a sua acurácia em predizer eventos (através de cálculos estatísticos como a curva roc) vemos que esta fica em torno de 70 a 80%. Ou seja, os escores erram em 20 a 30% dos pctes (ex: dizer que o pcte é de risco moderado de complicações enquanto que na verdade o pcte tem risco elevado de cursar com iam, morte cardiovascular, edema agudo dõs pulmões, etc). Até por isto a diretriz ressalta que quando a impressão subjetiva do médico é de que o risco real é maior do que o calculado por escores isto deve ser ressaltado (ex: risco cardiovascular perioperatório baixo de acordo com os escores de Lee e do ACP mas minha impressão subjetiva é de risco ao menos moderado).

Já na segunda parte (instituição de medidas para diminuir o risco cardiovascular) os problemas provavelmente são ainda maiores. A grande medida sugerida pelos guidelines para diminuição de complicações em pctes com risco perioperatório moderado a alto era o uso dos betabloqueadores. Este contudo teve sua evidência bastante contestada com os recentes desdobramentos do caso Poldermans. Não que o uso da medicação vá ser abolido neste cenário, mas certamente o nível de evidência certamente diminuirá nas diretrizes futuras. Termina que a grande evidência do bbloq neste contexto no momento é o da manutenção nos pctes que fazem uso crônico da medicação.

Excetuando-se o bbloq, que outras medidas teríamos para diminuir o risco cardiovascular perioperatório destes pctes? As principais são:

1- manutenção de aas nos pctes que já usam

2- introdução de estatinas em pctes que serão submetidos a cirurgias vasculares

3- revascularização miocárdica pré-operatória

Em relação ao aas, realmente há metanálises que sugerem o benefício da manutenção da medicação em pctes que já a usam. Mas isto é manutenção. Não há trabalhos mostrando vantagem da introdução do aas antes de cirurgias não cardíacas em pctes que não vinham em uso da medicação. Ou seja, o cardiologista neste caso não vai acrescentar nada. Apenas vai orientar a não suspender.

A revascularização miocárdica profilática antes de cirurgia não cardíaca também não encontra grande embasamento (vide o trial CARP). Assim esta ficaria reservada apenas às situações usuais (angina refratária ao tto clínico, triarterial com disfunção de VE, etc). Nada particular para o ambiente perioperatório.

No final das contas termina sobrando o uso de estatina no pré-op de cirurgia vascular arterial. Lembrando que o primeiro estudo a revelar benefício neste cenário foi desenvolvido no HC-FMUSP.

Resumindo – a estratificação de risco cirúrgico ainda está longe do ideal e as estratégias para diminuição deste risco são bastante limitadas. Termina sobrando muitaz vezes apenas o conceito de que pctes com risco mais elevado devem ser monitorizados mais atentamente no pós-op (incluindo pós-op em uti, dosagem de troponina e ecg diários até o terceiro DPO, etc) de modo que as eventuais complicações sejam detectadas precocemente.

 

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Profilaxia de endocardite – quando e como? Parte 1

Se tem uma coisa que as sociedades de cardiologia não chegam a um consenso é a recomendação de profilaxia de endocardite. A AHA e a sociedade européia tem opiniões bastante similares, limitando o uso de profilaxia a pctes de alto risco de endocardite grave (vide tabela 1) que se submeterão a determinados procedimentos dentários (vide tabela 2). A sociedade britânica aboliu o uso de profilaxia para endocardite. Já a SBC em suas diretrizes de perioperatório e de valvopatias recomendam o uso mais amplo de atb profilático. É importante que o cardiologista saiba que existem estas diferentes recomendações e, avaliando as evidências, escolher que "escola" seguir. De forma geral, a maioria dos cardiologista brasileiros termina seguindo as diretrizes da SBC mesmo. Para tentar diagramar melhor estas recomendações, fizemos este esquema gráfico abaixo. Vejam se ajuda em algum coisa:

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B Bloqueador no Perioperatório, o Escândalo Poldermans!

 

A  recém notícia da demissão do Dr Polderman, gerou um grande frenesi no meio acadêmico reacendendo a discussão quanto à manipulação de dados e análise enviesada de dados por conflitos de interesse.

Poldermans foi um dos maiores defensores dos beta  bloqueadores como farmaco proteção no perioperatório de pacientes de alto risco cardiovascular, sendo responsável pelos maiores estudos que embasaram esta atitude e que foi amplamente sedimentadas nos guidelines no mundo e inclusive no recente diretriz brasileira de perioperatório.

Recomendamos a leitura da excelente discussão do Dr Luis Cláudio Correa em seu blog que analisa o tema de maneira genial. Vale a pena.

http://medicinabaseadaemevidencias.blogspot.com/2011/11/youre-fired.html

 

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Avaliação cardiológica pré-operatória – transplante hepático – como fazer? Parte 2

 

- Em todos os pctes – sempre fazer eco tt. Avaliar com cuidado a função do VE, a PSAP, a função do VD, a presença de obstrução na via de saída do VE, presença de valvopatias.

- Por que hepatopatas podem ter presença de obstrução na via de saída do VE? – porque é comum que estes pctes tenham HVE associada a um perfil hiperdinâmico – o que pode gerar gradientes na VSVE. Qual a relevância disto? A relevância é que nestes pctes deve se evitar ao máximo taquicardia no intraop, além de se limitar o uso de inotrópicos (a dobutamina por aumentar a contratilidade cardíaca pode piorar o gradiente na VSVE). Considerar fortemente eco-TE intraoperatório para guiar melhor as condutas.

- Disfunção do VE no pré-op não é contra-indicação absoluta ao tx, até porque em uma parcela dos casos esta alteração reverte com o transplante (de forma análoga à reversão da disfunção renal em pcte com síndrome hepatorenal que é transplantado).

- Em pctes hepatopatas com disfunção de VE o carvedilol parece ser o melhor betabloqueador – além de ajudar na IC ele também mostrou-se bastante efetivo em diminuir as pressões no sistema porta.

- O eco TT do pré-op de tx hepático sempre deve detalhar a PSAP. Caso aumentada ou caso haja disfunção do VD (o que pode ser um sinal indireto de HAP) – proceder ao cateterismo direito do coração para avaliar com acurácia as pressões pulmonares. Isto porque níveis entre 35 e 50 mmHg de PAPm predizem uma mortalidade de 50% após o tx. Se acima de 50 mmHg – 100% de mortalidade em um estudo. Ou seja – contra-indica o tx.

- PAPm entre 24 e 35 mmHg – contra-indicação relativa ao tx

- PAPm >35 mmHg – primeiro descartar congestão pulmonar – avaliar a pressão capilar pulmonar. Se normal – sugere hipertensão arterial pulmonar. Tentar diminuir as pressões pulmonares com vasodilatadores (assim como se faz no pré-op de tx cardíaco). Se não diminuir – contra-indicação absoluta.

- No eco atentar também para derrames pericárdicos. Estes muitas vezes estão associados com hepatite c e crioglobulinemia. Lembrar sempre que níveis elevados de PSAP (razoavelmente comuns nestes pctes) podem fazer com que não haja colabamento diastólico do VD mesmo em caso de tamponamento.

- No ecg – sempre atentar para o intervalo Qtc – comumente prolongado nestes pctes. Corrigir possíveis distúrbios eletrolíticos que possam colaborar com isto (hipocalemia e hipomagnesemia sec. a uso de lasix, por exemplo).

- Os conceitos expostos nestes tópico e no anterior referem-se aos pctes com doença hepática crônica. Pctes com falência hepática aguda podem ser avaliados de acordo com os algoritmos gerais (AHA, ESC, SBC) com a particularidade de se fazer eco tt para todos. Lembrar que nestes casos se houver aumento de PSAP provavelmente isto não está ligado à hepatopatia.

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Avaliação cardiológica pré-operatória – transplante hepático – como fazer? Parte 1

- Os pctes em fila de transplante hepático são cada vez mais idosos e com mais comorbidades.

- A própria hepatopatia gera alterações na fisiologia cardiovascular – a chamada cardiopatia cirrótica – débito cardíaco aumentado, resposta ventricular ao stress diminuída, diminuição da resistência vascular periférica, bradicardia. Estas alterações podem aumentar os riscos de complicações no pós-operatório do tx hepático.

- Os guidelines da AHA e da ESC não dão nenhuma recomendação específica sobre a estratificação de coronariopatia nestes pctes.

- A diretriz brasileira de 2011 sugere que se siga o algoritmo normal de cirurgias não-cardíacas nestes pctes

- Um artigo de revisão do jacc recomenda o seguinte - se pcte com coronariopatia conhecida, diabetes ou 2 ou mais fatores de risco para doença cardiovascular (homem>45 anos, mulher>55 anos, DLP, HAS, tabagismo, hx familiar de DAC em parente de primeiro grau homem <55 anos ou mulher<65 anos) – fazer cate ou angiotomo. O artigo não faz referência à indicação de teste não invasivo – argumentando que a sensibilidade e a especificidade destes são diminuídas no pcte hepatopata.

- A AASLD (sociedade americana de hepatologia) recomenda que se investigue para coronariopatia os seguintes pctes:

1- >50 anos

2- diabéticos

3- tabagistas

4- hx pessoal ou familiar de DAC.

Esta sociedade recomenda que nestes casos seja feito eco stress com dobuta. Caso positivo – pedir cate.

- Lembrando que a primeira recomendação vem de um artigo de revisão enquanto que a segunda está contida na diretriz de uma grande sociedade americana. Me parece mais prudente iniciar a investigação com testes não invasivos. Lembrar que esta história de sensibilidade diminuída para detectar DAC é muito discutível. Ex – 100 pctes com lesão de 70% em uma das coronárias fazem eco stress ou cintilo e o exame vem positivo em apenas 70 – a sensibilidade foi de 70%. Ruim certo? Não obrigatoriamente. Sabemos que pctes que têm cate com lesões mas que o teste não invasivo vem negativo, de uma forma geral, possuem um prognóstico bom. Ou seja, não detectou simplesmente porque aquela obstrução não está causando repercussão…

- Caso se indique cate nestes pctes – a priori preferir a via radial – menor risco de sangramentos

- caso seja necessário angioplastia – evitar stents farmacológcos – terá que usar dupla antiagregação por 12 meses – alto risco de sangramento em pctes hepatopatas além de contra-indicar o tx hepático neste período.]

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Estudos clássicos: série DECREASE

Os 5 estudos da série DECREASE são provavelmente os mais citados na história da medicina perioperatória. Vale a pena dar uma lida neste artigo de revisão feito pelos próprios autores onde eles revisam os dados principais de cada estudo.

http://eurheartjsupp.oxfordjournals.org/content/11/suppl_A/A9.full.pdf

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Discussão de casos clínicos – 1.

Estamos inaugurando uma nova sessão do blog. Trata-se da discussão de casos clínicos. Para iniciar vou relatar um caso de pré-operatório de cirurgia não cardíaca.

Pcte de 60 anos, HAS, DM-2 insulino-dependente, DLP, sobrepeso, artrose importante de quadril com indicação de artroplastia devido à importante limitação nas atividades diárias. Solicitado parecer pré-operatório para a cardiologia. Na anamnese, o pcte relatava episódios de precordialgia típica, em repouso. Já havia tido uns 3 a 5 episódios nos últimos meses, tendo sido o último há mais de 1 mês. Exame físico sem alterações. FC 80 PA 142×90. ECG também sem alterações, assim como a radiografia de tórax.

Como o pcte tinha história de precordialgia típica sem estratificação prévia – optado por solicitar cintilografia miocárdica com stress farmacológico (pcte sem condições de realizar esforço físico devido a patologia ortopédica). Introduzido estatina, aas, enalapril e atenolol. Enquanto o pcte aguardava internado para realizar a cintilo apresentou dor precordial típica prolongada em repouso, sem alteração de ecg ou elevação de marcadores. Optado por encaminhar direto ao cateterismo sem realização de cintilo. As imagens do exame são vistas abaixo.

Em suma, lesões triarteriais graves. Função de VE na ventriculografia preservada. 

O pcte ficou assintomático com o tratamento clínico otimizado (FC 56 bpm, PA 110×72), apesar de estar praticamente restrito ao leito devido à artrose de quadril.

Problema técnico – DA com leito distal muito ruim, o que compromete o resultado de uma revascularização cirúrgica. Sabe-se que o que aumenta sobrevida nos pctes revascularizados por cirurgia é basicamente o enxerto de mamária-DA normofuncionante. Os outros enxertos basicamente diminuem angina/equivalentes anginosos.

Possibilidades para o manejo do caso:

1- revascularização cirúrgica apesar da limitação do leito distal da DA e após 1 mês fazer cirurgia ortopédica

2- realizar cintilo com tratamento clínico otimizado e caso não tenha achados de moderado/alto risco, liberar o pcte para a cirurgia ortopédica 

Acredito que ninguém optaria por tratamento percutâneo neste caso devido às lesões múltiplas. Além disso, caso fosse usado stent convencional o risco de reestenose seria proibitivo. O pcte tem contra-indicação a stent farmacológico uma vez que tem planejamento de cirurgia não cardíaca nos próximos 12 meses.

ATUALIZAÇÃO DO CASO

Após discussão do caso em reunião clínica, foi optado por realizar cintilo em vigência de tratamento clínico otimizado. O resultado do exame encontra-se abaixo:

laudo do exame: hipocaptação transitória de moderada intensidade e média extensão das paredes ântero-septal e apical. Hipocaptação persistente de acentuada intensidade e média extensão em parede inferior com componente transitório em sua porção médio-apical.

E agora com a cintilo, o que vocês proporiam para este pcte? Ele aguarda cirurgia de artroplastia de quadril bilateral e de um dos joelhos (cirurgia bastante demorada). 

Daqui há uns 2 ou 3 dias digo o que fizemos com o caso…

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Recomendações para Profilaxia de Endocardite

As indicações para profilaxia de endocardite relacionada a procedimentos existem desde a década de 50 e sempre foram relacionadas a procedimentos odontológicos, genitourinários e gastrointestinais que cursam com alta incidência de bacteremia. Porém nos últimos anos estas indicações tornaram-se confusas, principalmente depois da divulgação do documento de atualização das indicações de profilaxia de endocardite do  Colégio Americano de Cardiologia ( AHA /ACC) em 2008 que restringiu o  seu uso.      

Neste documento americano,  algumas indicações clássicas para profilaxia como para os pacientes de alto risco de EI grave deixaram de ser Classe I  e tornaram-se classe IIa apenas quando associados a procedimentos odontológicos de alta alto risco para endocardite  ( extração dentária, manipulação de tecido gengival ou região periapical e perfuração de mucosa). Os procedimentos não odontológicos como broncoscopia, ecocardiograma transesofágico, endoscopia digestiva alta, colonoscopia e os demais procedimento  genitourinários e gastro intestinais deixaram de ter indicação de profilaxia.

Porém creio que em uma população com alta prevalência de valvulopatia reumática e má saúde bucal como a nossa, as indicações de profilaxia  da II Diretriz Brasileira de Perioperatório são mais coerentes e são aqui recomendadas.

 

  • Grau de recomedação  I :
    • É recomendada para os paciente de alto risco para EI ( tabela 8) e que serão submetidos à procedimentos odontológicos de alta probabilidade de bacteremia significativa ( tabela 9 ). Esquema antibiótico na Tabela 10. Nível de evidência C.

  • Grau de Recomendação IIa:
    • Profilaxia para pacientes com valvopatia ou cardiopatia

congênita que não se enquadrem na Tabela 8 e que serão

submetidos a procedimentos odontológicos de alta probabilidade

de bacteremia significativa (Tabela 9). Esquema antibiótico na

Tabela 10. Nível de evidência C.

  • Profilaxia para pacientes com risco elevado para EI grave

(Tabela 8) e que serão submetidos a procedimentos geniturinários

ou gastrointestinais associados a lesão de mucosa. Esquema

antibiótico na Tabela 11. Nível de evidência C.

  • Profilaxia para pacientes com risco elevado para EI grave

(Tabela 8) e que serão submetidos a procedimentos esofagianos

ou do trato respiratório associado a lesão de mucosa. Esquema

antibiótico na Tabela 10. Nível de evidência C.

  • Grau de Recomendação IIb:
    • Profilaxia para pacientes com valvopatia ou cardiopatia

congênita que não se enquadrem na Tabela 8 e que serãosubmetidos a procedimentos odontológicos que não se

enquadrem na Tabela 9. Esquema antibiótico na Tabela 10.

Nível de evidência C.

• Profilaxia para pacientes com valvopatia ou cardiopatia

congênita que não se enquadrem na Tabela 8 e que serão

submetidos a procedimentos geniturinários ou gastrointestinais

associados a lesão de mucosa. Esquema antibiótico na Tabela

11. Nível de evidência C.

• Profilaxia para pacientes com valvopatia ou cardiopatia

congênita que não se enquadrem na Tabela 8 e que serão

submetidos a procedimentos esofagianos ou do trato

respiratório associado a lesão de mucosa. Esquema antibiótico

na Tabela 10. Nível de evidência C.

  • Grau de recomendação III

Não há indicação para profilaxia de EI em pacientes

com comunicação interatrial (CIA) isolada; comunicação

interventricular ou persistência do canal arterial corrigidas e sem

fluxo residual; cirurgia de revascularização miocárdica; prolapso

de valva mitral sem regurgitação; após colocação de stents;

sopros cardíacos inocentes; portadores de marca-passo ou CDI;

história de doença de Kawasaki ou febre reumática sem disfunção

valvar, que serão submetidos a procedimentos odontológicos,

esofagianos, trato respiratório, geniturinário ou gastrointestinal;

Não há indicação para procedimentos que não envolvam

risco de bacteremia.

 

 

REFERÊNCIAS:

1- II Diretriz Brasileira de Perioperatório

 

 

 

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Como Orientar Profilaxia de TVP / TEP no Perioperatório Ortopédico

 

Aproveitando os últimos artigos de discussão sobre perioperatório, abordaremos como orientar profilaxia para Trombose venosa profunda ( TVP / TEP) no contexto de cirurgias ortopédicas com foco nas cirurgias de próteses de joelhos ou quadril e cirurgia de fratura de quadril que geralmente promovem longos períodos de imobilidade geral ou do membro acometido e são consideradas procedimentos de alto risco.

Algumas considerações devem ser conhecidas para delineamento do raciocínio e direcionamento das orientações:

  • As cirurgias ortopédicas de alto risco de TVP / TEP sempre necessitam de profilaxia, preferencialmente farmacológica. No paciente com caractéristicas intrínsecas de alto risco de TVP deve se associar Métodos mecânicos ( Compressão Pneumática intermitente e meias elásticas) .
  • A Compressão Pneumática Intermitente ( CPI) deve ser considerada como alternativa a farmacoprofilaxia nos pacientes com alto risco de sangramentos. Porém os medicamentos devem ser iniciados assim que os riscos forem reduzidos
  • Para a profilaxia farmacológica, a II Diretriz Brasileira de Perioperatório recomenda os seguintes medicamentos com suas  respectivas doses:
    • Heparina Não Fracionada / HNF – 5.000 UI SC de 12/12h ou 8/8h ;
    • Enoxaparina – 40mg Sc 1xd
    • Fondaparinoux – 2,5mg Sc 1xd ( em indivíduos > 50kg)
    • Dalteparina 5000 UI Sc 1xd
    • Tinzarapina 4.500UI  SC 1xd
    • Varfarina ( objetivo de RNI 2,0 – 3,0)
  • Não Utiliza a aspirina de forma isolada como profilaxia para TVP/TEP;
  • Quando iniciar a profilaxia?
    • Cirurgia eletiva de Prótese de quadril e Prótese de Joelhos ( maiores riscos): Deve ser iniciada o mais precoce possível. HBPM iniciada 12 horas antes do procedimento; ou de 12 a 24 h após a cirurgia; ou 4 a 6h após a cirurgia com a metade da dose e aumentado para a dose usual no dia seguinte. Fondaparinoux (2,5mg) iniciado  de 6 a 24h após o procedimento. Varfarina iniciada n noite anterior e mantida com objetivo de RNI 2,0 – 3,0. Heparina não fracionada ( na indisponibilidade dos demais) na dose de 5.000 SC 12/12h  . Dabigratrana ( aprovada recentemente nos EUA e europa) apesar de não estar explicitamente indicada na diretriz, as recomendações das diretrizes europeias são iniciar entre 4-6h após a cirurgia com metade da dose ( 110mg) e no dia seguinte continuar com dose 220mg por 10 a 35 dias. Em pacientes com disfunção renal moderada, pacientes acima de 75 anos e naqueles recebendo amiodarona, preconiza-se reduzir a dose padrão para 150 mg/dia (dose inicial de 75 mg, seguida da dose padrão de 150 mg, uma vez ao dia).
    • Artroplastia de joelho ( menor risco): Nos pacientes submetidos a procedimento por atroscopia associado a fatores de risco para TVP/TEP devem receber Profilaxia conforme indicado acima . Nos pacientes sem fatores de risco, devem ser orientados apenas à deambulação precoce.
    • Fratura de Quadril ( Maior Risco): Devem utilizar rotineiramente o esquema de profilaxia com fondaparinoux ( nivel de evidencia A) , HBPM ou varfarina ( Nivel de evidencia B) e, na indisponibilidade, Heparina não fracionada de 8/8h. Naqueles pacientes em que se prevê demora para a cirurgia, deve-se iniciar HNF ou HBPM já na admissão.
  • Quando interromper a profilaxia farmacológica?
    • Prótese de Joelho: Manter por pelo menos 10 dias;
    • Prótese e fratura de Quadril:  Manter  de 10 a 35 dias.

ADENDO:

Apesar de não ter sido contemplado na II Diretriz Brasileiras de Perioperatório, recentemente foi divulgado o estudo RECORD4 Trial ( 3148 pctes), onde foi comparado o Rivaroxaban 10mg 1xd  ( inibidor Xa – espécie de enoxaparina oral) com a enoxaparina   30mg 12/12h nos  pacientes submetidos a cirurgia de prótese de joelho.

O rivaroxaban foi iniciado 6- 8 horas após o procedimento enquanto a enoxaparina foi iniciada 12 a 24 horas após e continuados por 10 a 14 dias  sendo submetidos a Doppler venoso no fim de 40 dias de acompanhamento.
 

O Rivaroxaban, ao contrário de seu antecessor ( ximelagatran) não apresentou toxidade hepática e teve a segurança similiar à enoxaparina.

A nova medicação reduziu o desfecho primário ( Eventos Tromboembólicos – TVP, TEP não Fatal, e mortalidade por todas as causas) .

Desfecho

Rivaroxaban (%)

Enoxaparina (%)

p

Eventos TEV

6.9

10.1

0.012

 

                               

Atualmente esta nova medicação é autorizada pelo FDA para profilaxia de TEV nas cirurgias de prótese de joelho.

Comparação de Preços ( Fonte : http://www.consultaremedios.com.br )

  • Enoxaparina:

                Clexane 40mg sol inj cx 2 ser pre-enchida x0,4ml  à  R$96,71  ( valor de 2 seringas) – Necessidade de profilaxia por pelo menos 10 dias ou 10 unidades = R$ 483,55 e necessidade de injeção subcutânea diária.

  • Rivaroxaban:

                Xarelto 10mg cx 10 comp  à  R$ 238,63 ( 1 caixa para pelo menos os 10 dias de profilaxia) – Comprimido oral

 

 Referências:

1. II Diretriz de Avaliação Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia

2. Turpie A, Bauer K, Davidson B, et al. Comparison of rivaroxaban—an oral, direct factor Xa inhibitor—and subcutaneous enoxaparin for thromboprophylaxis after total knee replacement (RECORD4: a phase 3 study). European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology 2008 Annual Meeting; May 29-June 1, 2008; Nice, France. Abstract F85.

3.  http://www.consultaremedios.com.br/

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