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A espessura médio-intimal da carótida tem valor no seguimento da aterosclerose ?

Giordano Bruno
Escrito por Giordano Bruno

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Apesar de todas as controvérsias da relativa baixa acurácia da espessura médio-intimal (IMT) como marcador de aterosclerose, resultando inclusive em retirada deste critério de alguns guidelines de prevenção primária, algumas questões ainda podem ser debatidas:

Usar a evolução do IMT seja demonstrando que a aterosclerose está fugindo do controle (aumento progressivo do IMT) ou que está bem controlada (estabilidade e até regressão do IMT) tem validade ? bem, foi o que demonstrou recente meta-análise com mais de 100 estudos randomizados envolvendo mais de 100.000 pacientes seguidos durante 3.7 anos. 

Nessa análise, cada redução de 0,01mm ao ano do IMT reduziu independentemente o risco em 8% de eventos cardiovasculares de maneira significativa, com redução de até 37% de eventos naqueles que reduziram 0,04mm.

Resta entretanto saber se o impacto estatístico tem correspondente impacto clínico que justifique repetição sistemática desse exame em todos os pacientes, até mesmo considerando as limitações envolvendo a pequena diferença entre as medidas e método de medida empregado (com possível vantagem para sistemas de medida automatizados do IMT).

O que podemos afirmar é que, mesmo com todo a evidência de técnicas como escores de cálcio coronário, a realização de um simples e acessível exame (USG Doppler de carótidas) ainda se figura como fundamental em prevenção primária para identificação de placas ou espessamento muito alterado (IMT>1.4) que já configurariam aterosclerose sub-clínica nesse cenário. Com a vantagem agora de interpretarmos depois deste estudo que uma mudança evidente do IMT traduz também redirecionamento do leme aterosclerótico dos pacientes.

Opinião Prática

“Mesmo com o direcionamento dos guidelines de prevenção primária para uso preferencial do escore de cálcio coronário (CAC), o USG continua sendo fundamento nesse cenário pela sua ampla disponibilidade, baixo custo e baixo risco, podendo identificar aterosclerose subclínica (presença e caracterização de placas) em percentual razoável de pacientes. Esta meta-análise reacende a utilização também do IMT como seguimento, mas que do ponto de vista prático sem muito valor pois uma diferença de 0.04mm é praticamente indistinguível entre um exame e outro.”

Referência

Carotid Intima-Media Thickness Progression as Surrogate Marker for Cardiovascular Risk Meta-Analysis of 119 Clinical Trials Involving 100 667 Patients – Circulation. 2020;142:621–642

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Sobre o autor

Giordano Bruno

Giordano Bruno

Médico Cardiologista e Ecocardiografista formado pela UFPE
Supervisor da residência em cardiologia do Hospital Agamenon Magalhães - SES/PE
Coordenador dos protocolos da cardiologia do Realcor / Real Hospital Português/PE

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