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Profilaxia de endocardite infecciosa: o que diz a última diretriz europeia?

Profilaxia de endocardite
Andre Lima
Escrito por Andre Lima

Apesar de todo avanço na Medicina com métodos diagnósticos e desenvolvimento / aperfeiçoamento de antibióticos, a Endocardite infecciosa (EI) ainda é uma das entidades patológicas com maior letalidade. A profilaxia antimicrobiana seria uma ferramenta factível para prevenir esta complicação e portanto vamos discutir neste post o que mudou com os novos guidelines.

Desde os Guidelines de 2002, as indicações de Profilaxia tornaram-se mais restritivas o que foi ampliado no Guideline Europeu de Endocardite Infecciosa publicado em 2015 que baseou-se  nas seguintes observações:

Bacteremias de baixa intensidade ocorrem frequentemente em atividades rotineiras  como  escovação dentária, uso de palito de dentes , fio dental e até mesmo na mastigação o que é potencializado em pacientes com má saúde dental. Em modelos animais foi demonstrado um maior risco de EI associado às bacteremias diárias de baixo intensidade  (maior carga de bacteremia)  em comparação às bacteremias de alto grau.  “Um estudo teórico da bacteremia cumulativa, durante cerca de um ano, calculou que a bacteremia do dia-a-dia é seis vezes maior do que a bacteremia causada por uma extração dentária isolada”. A maioria dos Estudos Caso-Controle não evidenciou relação entre os procedimentos dentários e risco de EI. Observamos alguns pontos :

  • A administração de Antibióticos pode trazer pequeno risco de anafilaxia;
  • O uso de antibióticos de forma generalizada pode resultar na emergência  de bactérias resistentes.
  • A eficácia dos antibióticos profiláticos só foram comprovados em modelos animais e os efeitos em humanos ainda são controversos.

O guideline Europeu publicado em  2015 restringiu ainda mais a utilização de antibióticos profiláticos a  condições de alto risco ( alta incidência de EI e/ou alto risco de desfechos graves) como resumiremos nas tabelas abaixo:

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OBS: Neste documento, não está indicada profilaxia para pacientes com Prolapso de valva mitral, Valva aórtica bicúspide ou bivalvular, estenose aórtica calcifica. Porém nestes paciente de risco intermediário são aconselhados sobre a importância da higiene oral e proteção cutânea.

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OBS: Alternativamente, cefalexina 2g, IV, para adultos ou 50 mg/kg, IV, para crianças, Cefazolina ou Ceftriaxona 1g, IV, para adultos ou 50 mg/kg, IV, para crianças. Cefalosporinas não devem ser usadas em pacientes com anafilaxia, angio-edema, ou urticária após uso de penicilinas ou ampicilinas pelo risco de sensibilidade cruzada.
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Qual a sua opinião a respeito dessas recomendações. Deixe seu comentário abaixo.

 

Referências:

2015 ESC Guidelines for the management of infective endocarditis

Authors/Task Force MembersGilbert Habib, Patrizio Lancellotti, Manuel J. Antunes, Maria Grazia Bongiorni, Jean-Paul Casalta, Francesco Del Zotti, Raluca Dulgheru, Gebrine El Khoury, Paola Anna Erba, Bernard Iung, Jose M. Miro, Barbara J. Mulder, Edyta Plonska-Gosciniak, Susanna Price, Jolien Roos-Hesselink, Ulrika Snygg-Martin, Franck Thuny, Pilar Tornos Mas, Isidre Vilacosta, Jose Luis Zamorano

European Heart Journal Aug 2015, ehv319; DOI: 10.1093/eurheartj/ehv319

http://eurheartj.oxfordjournals.org/content/early/2015/08/28/eurheartj.ehv319

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Sobre o autor

Andre Lima

Andre Lima

Editor do site --
Especialista em Cardiologia pela SBC e InCor/ USP --
Especialista em Ecocardiografia pela SBC e InCor/USP --
Especialista em Terapia Intensiva pela AMIB --

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