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Guia de medicamentos cardiovasculares: Ticagrelor

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O Ticagrelor é, assim como o clopidogrel, um medicamento anti-plaquetário que age no receptor de ADP plaquetário P2Y12. Pertence a uma classe diferente do clopidogrel e prasugrel (que são tienopiridínicos) – e membro da classe química CPTP (ciclopentiltriazolopirimidinas). Diferente do clopidogrel, sua ligação nesse receptor é reversível, permitindo um término de ação mais rápido (não precisa esperar o turn over plaquetário).

Indicação: em angina instável de risco intermediário ou alto, IAM sem supra de ST (IB) e IAM com supra de ST (IB), associado ao AAS (estudo PLATO), em pacientes com estratégia inicial invasiva ou não (revisão clínica). Não foi testado em pacientes com IAM com supra ST submetidos à trombólise nem naqueles que não foram reperfundidos.

Mecanismo de ação: inibidor reversível do receptor de ADP plaquetário P2Y12. Uma vantagem em relação ao clopidogrel é que ele não precisa de metabolização hepática para se tornar ativo (não é uma pró-droga; o clopidogrel precisa de metabolização hepática; cerca de 30% dos pacientes não metabolizam adequadamente por uma variabidade inter-individual da ação do citocromo 2C19, aumentando o risco de eventos adversos nesse grupo).

Apresentação: comprimidos de 90mg.

Posologia:  dose de ataque de 2 comp (180mg), seguido de 90mg 2x por dia por 12 meses.

Cuidados: suspender 5 dias antes de um procedimento cirúrgico eletivo.

Contra-indicações: alergia à medicação, passado de AVC hemorrágico, hemorragia ativa, hepatopatia moderada a grave, pacientes em diálise, uso de medicamentos inibidores do CYP3A4 (ex: cetoconazol, claritromicina, ritonavir, atazanavir), plaquetopenia importante.

Efeitos colaterais: sangramentos, cefaleia, dispneia (pelo efeito da adenosina), aumento de pausas no holter. Elevação do ácido úrico, elevação transitória da creatinina (pelo efeito da adenosina no aparelho justa-glomerular).

Uso na gravidez: B. Estudos em animais não indicam efeitos prejudiciais ao feto. Dados limitados em mulheres ou lactantes.

Nomes comerciais: Brilinta®.

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Sobre o autor

Fernando Figuinha

Fernando Figuinha

Especialista em Cardiologia pelo InCor/ FMUSP
Médico cardiologista do Hospital Miguel Soeiro - Unimed Sorocaba.
Presidente - SOCESP Regional Sorocaba.

1 comentário

  • Prezado colega Dr.Fernando. Sou Especialista em Hematologia pela PUC e Mestre em Medicina pela UFF (Niteroi-RJ).Fui médio da Clinica Oncológica e da Emergência do Hospital de Oncologia (Atual INCa II), onde atuei por 20 anos. e, também por 30 anos atuei com perito legista do IML em NIterói e no Rio, tendo efetuado mais de quatro mil autópsias, com exames anatomopatológicos e histopatológicos, Nesses exames vi coronarioesclerose em todos os graus, desde apenas um ateroma até coronária transformada em um tubo de cálcio; tromboses com coágulos cruóricos intracardíacos (de hemácias, de fibrina e mistas).e tromboses em artérias pulmonares periféricas. Na Oncologia ví vários casos de COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA, decorrentes de tumores avançados, com necroses. Sabe-se que tecido necrosado pode desencadear a coagulação intravascular levando ao exito letal em poucas horas.. Assim, a minha atenção está voltada, atualmente, para a infecção viral pelo covid19. Médicos fizeram biopsias pulmonares em pacientes graves com essa infecção viral, tendo verificado, como manifestação exuberante, a presença de trombos na artérias pulmonares periféricas (dados fornecidos via Internet). As tromboses intravasculares pulmonares, se forem amplamente difundidas pelo parênquima pulmonar, impedirão as trocas gasosas de oxigênio e dióxido de carbono, levando à insuficiência respiratória aguda e grave e, portanto, letal em grande número de casos dos pacientes que são submetidos à respiração artificiai, entubados. Nos pacientes cardiológicos, aqueles submetidos à implantes de safenas ou que receberam impantes de stents necessitam de antitrombóticos (ticagrelor, clopidogrel, AAS). Sem eles a coagulação intravascular coronariana é uma séria ameaça. Nos pacientes infectados com o Covid19, a qual infecção não é uma gripe, mas sim, possivelmente, uma angionecrose das artérias pulmonares periféricas e das arteríolas (provocando tosse seca ou improdutiva|), cujas necroses disseminadas induzem à coagulação intravascular. Assim, pacientes cardiopatas, geralmente acima dos 60 anos de idade, são de risco, pois as condições que podem levar á coagulação intravascular estão presentes nas coronariopatias e na infecções pelo Covid19, sendo necessários os antitrombóticos referidos. Esta é uma visão panorâmica sobre os inestimáveis benefícios dos antitrombóticos para esses pacientes. E, acima de tudo, este é um bate-papo cordial com os meus colegas da Medicina. Luiz G. Spoladore, CRM-RJ 52-10575-6, E-mail [email protected]

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